Inflação de janeiro cai menos que o esperado e pode impactar corte de juros, avalia CNA
Variações na energia elétrica e nos combustíveis também podem afetar custos agropecuários

O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado um dos indicadores de inflação do país, registrou uma alta de 0,33% em janeiro. O resultado divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) é maior do que o observado no IPCA de janeiro de 2025, que ficou em 0,16% naquela época. Também é maior do que o IPCA 15 de janeiro de 2026, que foi de 0,2%.
De acordo com o boletim técnico da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), um dos impactos desse IPCA pode vir na taxa básica de juros Selic. “O Banco Central do Brasil indicou na última ata da reunião do Copom [Comitê de Política Monetária], que o corte nos juros (Selic) deve ocorrer na próxima reunião (março), entretanto, o IPCA caindo menos que o esperado, pode resultar em um corte menor que o desejável na taxa básica de juros”, avaliou a entidade.
Para o produtor rural, alguns outros dados do IPCA podem “afetar os custos agropecuários de forma distintas”. A CNA cita o grupo Habitação dentro índice, que registrou uma queda de 0,11% em janeiro. Parte dessa queda é atribuída por conta de uma redução de 2,73% na energia elétrica. Isso pode trazer certo alívio para algumas atividades do setor.
“A queda no preço da energia pode aliviar as atividades mais intensivas em consumo energético, como sistemas de irrigação, climatização, resfriamento, bombeamento e circulação de água”, pontuou o boletim.
No entanto, a CNA chama atenção para o grupo de Transportes, que envolve as variações de preços relacionadas aos combustíveis. O grupo teve uma alta de 0,6%. Entre os combustíveis, o etanol teve o maior crescimento, com 3,54% de alta. A gasolina registrou alta de 2,06%, o diesel 0,52% e o gás veicular 0,2%. “A alta dos combustíveis pressiona os custos dentro e fora da porteira, elevando despesas operacionais e logísticas”, indicou o documento técnico.
GRUPO DE ALIMENTOS DESACELERA DE DEZEMBRO PARA JANEIRO
No grupo de Alimentação e Bebidas, o índice registrou uma desaceleração na passagem de dezembro para janeiro. No último mês do ano passado, esse grupo observou uma alta de 0,27% e, enquanto em janeiro deste ano, o grupo teve alta de 0,23%.
Entre os produtos, os que tiveram as principais quedas foram:
- Leite longa vida: -5,59%;
- Ovo de galinha: -4,48%;
- Óleo de soja: -3,32%;
- Arroz: -1,55%;
- Frango em pedaços: -1,41%.
Já entre os produtos com as variações para cima, os principais são:
- Tomate: +20,52%;
- Cenoura: +9,94%;
- Maçã: +3,94%
- Pescados: +2,77%;
- Carnes: +0,84%.
LEIA ABAIXO UM RESUMO DA NOTÍCIA
- Inflação acima do esperado e pressão na Selic: O IPCA subiu 0,33% em janeiro, um resultado superior ao de janeiro de 2025 (0,16%). Segundo a CNA, como a inflação caiu menos que o previsto, o Banco Central pode realizar um corte menor na taxa Selic na reunião de março, o que mantém o custo do crédito elevado para o setor produtivo.
- Contraste nos custos operacionais: O setor agropecuário vive um cenário misto. Por um lado, a queda de 2,73% na energia elétrica alivia atividades intensivas como irrigação e climatização. Por outro, a alta dos combustíveis (especialmente o etanol com +3,54% e a gasolina com +2,06%) pressiona os custos logísticos e operacionais "dentro e fora da porteira".
- Oscilação no grupo de Alimentos: O grupo de Alimentação e Bebidas desacelerou para 0,23%. Itens essenciais como leite longa vida (-5,59%) e arroz (-1,55%) registraram queda, enquanto produtos in natura tiveram altas expressivas, com destaque para o tomate (+20,52%) e a cenoura (+9,94%), influenciados por fatores sazonais e climáticos.
Com informações: Agro Estadão.





















