Campos Gerais ganha destaque na produção com certificação e origem
Com o apoio do Sebrae/PR, pequenos produtores da região conquistaram reconhecimentos importantes, como o Selo Arte e o registro de Indicação Geográfica

A vitrine nacional de produtos artesanais está ganhando reforços da Região dos Campos Gerais. Com a orientação do Sebrae/PR, pequenos empreendedores, que enfrentavam restrições de comercialização e baixa visibilidade de seus produtos, ganham espaço, impulsionados pela obtenção de certificações como o Selo Arte e registros de Indicação Geográfica (IG). O resultado é o aumento da renda dos pequenos produtores, o fortalecimento da economia regional e da identidade territorial.
Em junho deste ano, completará um ano do primeiro Selo Arte, no município de Ponta Grossa. Somada a essa, a região dos Campos Gerais já concentra o correspondente a 48% do total de produtos habilitados de todo o Paraná: são 94 produtos ativos com o Selo Arte no estado. Quarenta e seis deles estão nos Campos Gerais. O percentual consolida a região como um dos principais polos de produtos artesanais habilitados.
“É uma evolução exponencial, partindo de uma base inexistente para um conjunto de produtos aptos à comercialização nacional. Mudar realidades, por meio da qualificação e gestão dos pequenos negócios, é um trabalho presente do Sebrae”, avalia a consultora de negócios do Sebrae/PR, Mariana Santana Scheibel.
A produtora de queijos Liliane Zaziski Aardoon, de Ponta Grossa, comemora a quebra de barreiras geográficas, quando o assunto é a comercialização de seus produtos. Depois que obteve a certificação, ela leva o nome da Queijaria Vila Velha a diversas feiras espalhadas pelo Brasil. A história de Liliana pode inspirar outros pequenos produtores que enfrentam dificuldade em transformar o que é local, em marca reconhecida em todo o Brasil.
“Tínhamos um cliente ótimo no município de Tibagi. Interrompemos o abastecimento, na época, porque não podíamos vender nossos produtos para fora de Ponta Grossa. Fiquei muito triste, mas foi aí que percebi a necessidade de conseguir a certificação”, lembra Liliane.
De acordo com ela, o processo levou cerca de 11 meses até ser concluído e contou, integralmente, com o apoio do Sebrae/PR. Liliane explica que a instituição fez toda a orientação e foi a responsável por regularizar a parte burocrática. O empenho garantiu, à queijaria, a obtenção do Selo Arte, concedido pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), para três produtos: o queijo Gouda, o Nozinho e o Purungo.
“Depois que conseguimos o Selo Arte, temos recebido vários convites para participar de feiras, em todo o país. Já participamos do Show Rural de Cascavel, em fevereiro deste ano e da Feira de Sabores, em Curitiba. A partir disso, outros convites estão surgindo”, comemora Liliane.
CAMPOS GERAIS EM EXPANSÃO
Além dos produtos já chancelados pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), com o Selo Arte, a região segue em expansão. Outros nove produtos estão em processo de adequação para futura solicitação do selo.
“Esse movimento demonstra que a chancela deixou de ser um evento pontual e passou a integrar uma estratégia contínua de qualificação e acesso a mercados. Ao permitir a comercialização em todo o território nacional, o Selo Arte rompe barreiras geográficas que historicamente limitavam o crescimento desses empreendimentos”, reforça a consultora do Sebrae/PR.
ORTIGUEIRA ALCANÇA RECONHECIMENTO PELA PRODUÇÃO ARTESANAL DE MEL
Além de Ponta Grossa, outros municípios da região têm ganhado destaque. Ortigueira é um dos exemplos. Henrique Kutz se apresenta como “produtor de mel desde que nasceu”. Em outubro de 2024, ele conquistou o Selo Arte. A partir da obtenção da certificação federal, a venda, antes concentrada em Ortigueira, vem ganhando espaço em todo o território nacional.
“Profissionalizar a nossa produção começou com o primeiro passo: obter a documentação, o registro e o desenvolvimento da marca. Conquistamos isso com o Sebraetec, programa do Sebrae que ajudou a subsidiar esses serviços”, detalha Henrique.
A produção da família Kutz passa por gerações há mais de 50 anos. São 80 toneladas de mel por ano. Antes do Selo Arte, a comercialização era feita, apenas, para outras empresas, com baixo valor agregado.
“Compravam o nosso mel a baixo custo e revendiam. Agora, com o Selo Arte, nós fazemos todo esse processo e comercializamos o mel de maneira organizada, identificado com a nossa marca, o que valoriza nosso produto e a nossa região”, comemora o apicultor.
Para ele, a conquista do Selo Arte significa a continuidade da empresa familiar, que conta com 2.500 colmeias em produção e seis tipos de mel comercializados, em todo o território nacional.
A região dos Campos Gerais também tem sido notada pela produção de itens com características únicas. Essa singularidade resultou uma nova conquista: a Indicação Geográfica (IG), registro concedido pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). Um exemplo é a Associação dos Produtores de Mel de Ortigueira (Apomel), que detém a IG na modalidade Denominação de Origem, desde 2015.
Diferentemente do Selo Arte, que autoriza a comercialização de produtos para além dos limites do município de origem, a Indicação Geográfica reconhece oficialmente uma região como produtora de determinado item ou prestadora de serviço com características próprias e diferenciadas. O registro atesta a identidade, a reputação e o vínculo do produto com a região em que é produzido.
Mariana Scheibel reforça que os resultados alcançados nos Campos Gerais evidenciam que o apoio técnico, a articulação institucional e o protagonismo dos produtores são capazes de transformar potencial em resultado concreto, gerando impacto econômico, social e territorial de longo prazo.
“O nosso trabalho oferta orientação e apoio, mostrando que esses produtores têm potencial de crescer em visibilidade e, consequentemente, em vendas”, ressalta Mariana.
O apicultor Cristiano Gonçalves Nascimento, atual presidente da Associação dos Produtores de Mel de Ortigueira (Apomel), avalia que esse contexto ajudou no crescimento do setor.
“Agora, por intermédio da Apomel, os produtores associados são reconhecidos e, com isso, vem conquistando visibilidade merecida, por oferecer um produto com características únicas da nossa região, com IG”, comemora Cristiano.
NOVAS IGS
De acordo com o Sebrae/PR, há, ainda, um movimento contínuo de estruturação e amadurecimento de novas IGs, incluindo o Pão no Bafo de Palmeira e o Leite de Castro.
“Recentemente, por exemplo, obtivemos o reconhecimento da IG das Tortas de Carambeí. É um trabalho sério que realizamos junto com parceiros, de apoio às micro e pequenas empresas que, em contrapartida, oferecem o que têm de melhor com qualidade e dedicação”, ressalta Mariana
SELO ARTE E INDICAÇÕES GEOGRÁFICAS
Podem conquistar o Selo Arte, apenas, produtos de origem animal com características artesanais, como queijos, embutidos, doce de leite, mel, entre outros. Já a Indicação Geográfica (IG) não é exclusiva para produtos artesanais. A IG pode ser concedida a produtos industriais, agroindustriais e até serviços, que possuam reputação, qualidade ou características únicas do local em que é produzido. As duas condições são complementares, mas podem ser obtidas de maneira independente.
A consultora Mariana Santana Scheibel, explica que buscar o apoio técnico do Sebrae pode ajudar no processo de organização para conquistar as certificações. O trabalho envolve, por exemplo, apuração de cenários como se um local está adequado e só falta formalização ou se já é formalizado e pode entrar com processo de pedido do Selo Arte.
“Ao longo de todas as etapas, temos apoio técnico e orientações estratégicas, ajudando o produtor a compreender os procedimentos necessários e a avançar de forma mais segura no processo de formalização”, afirma Mariana.
LEIA ABAIXO UM RESUMO DA NOTÍCIA
- Expansão e Liderança Regional: A região dos Campos Gerais consolidou-se como um polo de produtos artesanais, concentrando 48% dos produtos com Selo Arte no Paraná (46 dos 94 ativos no estado). Essa certificação permite que pequenos produtores rompam barreiras geográficas e comercializem itens de origem animal em todo o território nacional.
- Impacto no Pequeno Produtor: Com o apoio técnico do Sebrae/PR, empreendedores como os produtores de queijo de Ponta Grossa e de mel em Ortigueira conseguiram profissionalizar seus negócios. A obtenção do selo agrega valor, aumenta a renda familiar e permite a participação em feiras nacionais, transformando produtos locais em marcas reconhecidas.
- Diferenciação por Certificações: Além do Selo Arte (focado em produtos artesanais de origem animal), a região investe em Indicações Geográficas (IG), que reconhecem a identidade e reputação de produtos vinculados ao território, como o Mel de Ortigueira e as Tortas de Carambeí, com novos processos em andamento para o Pão no Bafo (Palmeira) e o Leite de Castro.
Com informações: Agência Sebrae de Notícias.





















