Alta do diesel encarece logística e comprime margens do agronegócio
Relatório do Rabobank aponta que disparada do combustível, impulsionada por conflitos internacionais, eleva custos de produção por hectare e encarece o frete para exportação

O agronegócio brasileiro enfrenta um novo gargalo econômico com a escalada dos preços do diesel. De acordo com um relatório divulgado nesta semana pelo Rabobank, a alta do combustível está impactando diretamente os custos operacionais no campo e reduzindo a rentabilidade dos produtores. O cenário é agravado pelas tensões no Oriente Médio, que afetam o mercado global de petróleo, atingindo o Brasil, que depende da importação de até 30% do diesel consumido.
Entre janeiro e março de 2026, os preços dispararam em estados com forte vocação agrícola. Em regiões da Bahia, Mato Grosso, Goiás e Paraná, o aumento superou R$ 1,00 por litro, chegando a R$ 2,00 em áreas isoladas. Esse reajuste reflete tanto o aumento nas refinarias da Petrobras quanto as variações de agentes privados que acompanham o mercado externo. As informações são da CNN Brasil.
IMPACTO NAS LAVOURAS E NO FRETE
A alta não é apenas logística, ela atinge a atividade mecânica nas fazendas. O Rabobank calculou o impacto por hectare para cada real de aumento no diesel:
- Cana-de-açúcar: Elevação de R$ 198,00 por hectare.
- Soja: Aumento de R$ 47,00 por hectare.
- Milho safrinha: Acréscimo de R$ 40,00 por hectare.
O efeito mais severo, contudo, é sentido no transporte rodoviário. No Paraná, por exemplo, o trajeto entre Cascavel e o porto de Paranaguá sofre um impacto de aproximadamente R$ 24,00 por tonelada para cada R$ 1,00 de alta no diesel. Em rotas mais longas, como de Mato Grosso a Santos (SP), esse custo extra pode chegar a R$ 55,00 por tonelada, valor que acaba sendo descontado diretamente do preço pago ao produtor.
PERSPECTIVAS E MEDIDAS
Embora o governo federal tente conter a crise com a suspensão de tributos e subsídios temporários, o cenário permanece volátil. Além do custo direto no tanque, o Rabobank alerta para o aumento indireto em fertilizantes e outros insumos transportados, obrigando o setor a reforçar a gestão de custos para evitar prejuízos na safra de 2026.
LEIA ABAIXO UM RESUMO DA NOTÍCIA
- Custo por hectare: Cada R$ 1,00 de alta no diesel encarece a produção de soja em R$ 47,00 e a de cana em quase R$ 200,00 por hectare.
- Logística pressionada: O frete em rotas estratégicas, como a que liga o interior do Paraná ao porto, teve aumento significativo por tonelada transportada.
- Incerteza global: A dependência brasileira de diesel importado mantém o agronegócio vulnerável aos conflitos no Oriente Médio e às variações cambiais.





















