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PMs são investigados por agredir suspeito e exigir senha de celular

No Boletim de Ocorrência (B.O.) os agentes alegam que o suspeito abordado resistiu à prisão, “sendo necessário o emprego de força moderada para a utilização de algemas”

Os agentes foram identificados como Eduardo Jamarino Serraglio e Renan Pereira Rodrigues
Os agentes foram identificados como Eduardo Jamarino Serraglio e Renan Pereira Rodrigues -

Publicado Por João Iansen

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Dois policiais militares (PMs) foram flagrados agredindo um suspeito durante uma abordagem em Cândido da Mota, no interior de São Paulo, no dia 17 de dezembro do ano passado. Um vídeo gravado por uma testemunha veio à tona nesta semana.

As imagens mostram os agentes, supostamente sem mandado judicial, exigindo que o homem passasse a senha do celular.

Os agentes, do Batalhão de Ações Especiais de Polícia (Baep), foram identificados no boletim de ocorrência (B.O.) como Eduardo Jamarino Serraglio e Renan Pereira Rodrigues.

Quando eles percebem que estão sendo filmados, um dos PMs grita para a testemunha: “Filma aí, cuzão. Filma ele resistindo [sic]”.

No Boletim de Ocorrência (B.O.) os agentes alegam que o suspeito abordado resistiu à prisão, “sendo necessário o emprego de força moderada para a utilização de algemas”.

“Já era uma maneira de se prevenir em relação ao vídeo”, afirmou o advogado Ruy Arruda, ativista pelos direitos humanos e atuante no combate à violência policial. Ele conta que foi chamado para repercutir o vídeo após ter conhecimento do caso.

“Independente do que o suspeito tenha feito, as cenas demonstram que a Polícia Militar torturou, e que o procedimento foge totalmente do padrão”, destacou. Segundo o criminalista, este não é um caso isolado. “Isso acontece com frequência, e é raro quando não acontece”, disse.

Versão da PM

Conforme o registro policial, os PMs receberam uma denúncia de tráfico de drogas em um bar na rua dos Apóstolos, em Cândido Mota. No local, um suspeito fugiu ao perceber a presença dos agentes. Ele foi identificado como Gustavo Sabino de Oliveira Silva, de 24 anos.

Gustavo foi seguido pelos policiais até um imóvel na rua Pires, onde teria pulado muros de residências vizinhas e, no percurso, se desfez de diversos invólucros contendo cocaína.

Durante a abordagem, os PMs teriam encontrado com o suspeito uma sacola contendo mais invólucros com cocaína, além de R$ 80 em notas fracionadas.

Segundo o BO, o homem confessou que comercializa drogas no local. Machucado, ele foi encaminhado ao pronto-socorro para atendimento médico. A PM alega que as escoriações são decorrentes da fuga, e não mencionam as agressões no registro da ocorrência.

Após atendimento médico, Gustavo foi encaminhado ao Plantão Policial de Assis, também no interior paulista. Depois da audiência de custódia, a Justiça converteu a prisão em flagrante do suspeito em preventiva, como informou a Secretaria da Segurança Pública (SSP) em nota.

Os PMs não usavam câmeras corporais, conforme é informado no BO. Segundo a SSP, “o Estado está ampliando o uso das Câmeras Operacionais Portáteis (COPs) da Polícia Militar com a entrega de 15 mil novos equipamentos, conforme cronograma pactuado e homologado pelo Supremo Tribunal Federal (STF)”.

Ainda de acordo com a pasta, “a implementação observa critérios técnicos definidos pela própria corporação, priorizando áreas de maior risco”.

PM investiga conduta de agentes

A SSP informou ainda que a PM instaurou uma investigação sobre o caso, “e apura minuciosamente todas as circunstâncias dos fatos para adoção das medidas cabíveis”.

“A instituição reforça que não compactua com excessos, punindo com rigor todos os desvios de conduta”, afirmou a pasta.

RESUMO

O Incidente: Vídeos divulgados nesta semana mostram dois PMs do Baep agredindo um suspeito e exigindo a senha de seu celular durante uma abordagem em 17 de dezembro de 2025. Ao notarem que eram filmados, um dos agentes ironizou a testemunha, gritando para registrar a suposta "resistência".

Conflito de Versões: No B.O., os policiais alegaram uso de "força moderada" devido à resistência e afirmaram que os ferimentos do suspeito ocorreram durante a fuga. Já advogados de direitos humanos apontam que as imagens configuram tortura e fogem de qualquer padrão operacional.

Contexto e Prisão: O suspeito, de 24 anos, foi detido por tráfico de drogas após perseguição e permanece em prisão preventiva. Os PMs envolvidos não utilizavam câmeras corporais no momento da ação.

Providências: A Secretaria da Segurança Pública (SSP) instaurou uma investigação minuciosa para apurar a conduta dos agentes e afirmou que não compactua com excessos.

Com informações: Metrópoles.

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