Irã ameaça reagir a eventual intervenção dos Estados Unidos em meio a protestos | aRede
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Irã ameaça reagir a eventual intervenção dos Estados Unidos em meio a protestos

Declaração ocorre enquanto repressão a manifestações já deixou ao menos 192 mortos, segundo organização de direitos humanos

Líder supremo do Irã, Ali Hosseini Khamenei e presidente dos EUA, Donald Trump
Líder supremo do Irã, Ali Hosseini Khamenei e presidente dos EUA, Donald Trump -

João Victor

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O presidente do Parlamento do Irã, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou que o país irá responder de forma contundente caso os Estados Unidos intervenham no atual cenário de instabilidade interna. Segundo ele, bases militares e portuárias norte-americanas, além de territórios ocupados, seriam considerados alvos legítimos em uma eventual reação. As informações são do Portal Metrópoles.

A declaração foi feita durante uma sessão parlamentar e divulgada por veículos locais. Em vídeo, Ghalibaf também mencionou possíveis retaliações contra Israel e instalações militares dos Estados Unidos, reforçando o posicionamento do governo iraniano.

A manifestação ocorre após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmar no sábado (10) que o país estaria “pronto para ajudar”, em meio ao aumento da repressão contra manifestantes no Irã. A declaração foi publicada por Trump na rede social Truth Social, sem detalhar quais medidas poderiam ser adotadas.

Apesar do cerco imposto pelas autoridades, protestos continuaram a ser registrados em diversas regiões do país até este sábado. Um novo balanço divulgado neste domingo (11) pela ONG Iran Human Rights aponta que, até o momento, ao menos 192 manifestantes morreram desde o início da maior onda de protestos no Irã em quase uma década.

De acordo com a organização, sediada em Oslo, as mortes foram confirmadas por fontes diretas no país e por meio da checagem com veículos independentes. A entidade afirma que a repressão das forças de segurança se intensificou nos últimos dias, à medida que as manifestações ganharam força e se espalharam pelo território iraniano.

O cenário é agravado por um bloqueio quase total da internet, imposto pelo regime teocrático há cerca de 48 horas, conforme a ONG de cibersegurança Netblocks. A restrição dificulta a verificação independente das informações e pode indicar que o número real de vítimas seja superior ao divulgado oficialmente.

Autoridades iranianas sinalizam que a repressão pode se intensificar. A Guarda Revolucionária, tropa de elite do país, classifica os protestos como ações de “terroristas” e afirma que a proteção de prédios públicos é considerada uma “linha vermelha”. A mídia estatal informou que um prédio municipal foi incendiado em Karaj, a oeste de Teerã, atribuindo o ato aos manifestantes.

As manifestações começaram em 28 de dezembro, inicialmente motivadas pela alta da inflação, e rapidamente assumiram caráter político, com pedidos pelo fim do regime clerical. O governo iraniano acusa os Estados Unidos e Israel de estimularem os protestos.

ABAIXO O RESUMO DA MATÉRIA EM 3 TÓPICOS: 

- Parlamento iraniano ameaça retaliação caso os EUA intervenham no país.

- Protestos já resultaram em ao menos 192 mortes, segundo ONG internacional.

- Governo iraniano intensifica repressão e acusa EUA e Israel de fomentar os atos.

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