Necrotérios improvisados expõem dimensão da repressão a protestos no Irã
Vídeo mostra corpos empilhados enquanto famílias buscam por parentes após repressão que já deixou centenas de mortos
Publicado: 13/01/2026, 12:55

Imagens que circularam nos últimos dias revelam cenas de desespero em necrotérios improvisados no Irã, onde corpos foram empilhados após a repressão a protestos antigovernamentais. Os registros, obtidos apesar do bloqueio de internet imposto pelo governo iraniano, mostram familiares chorando e tentando identificar entes queridos entre dezenas de cadáveres, conforme informações da CNN Brasil.
Os vídeos foram gravados no Centro Médico Forense de Kahrizak, ao sul de Teerã, e em áreas próximas à unidade. Em algumas imagens, sacos pretos para cadáveres aparecem enfileirados em áreas externas, enquanto outros corpos estão espalhados pelo chão, inclusive em pátios e passarelas. Pessoas percorrem o local em busca de informações sobre parentes desaparecidos desde o início da repressão.
Segundo relatos, o alto número de mortos levou à improvisação de espaços para armazenamento dos corpos. Um dos vídeos mostra o interior de um galpão transformado em necrotério, com dezenas de sacos mortuários dispostos no chão e sobre mesas metálicas. Grupos ativistas afirmam que a quantidade de vítimas superou a capacidade das instalações oficiais.
As manifestações, que se espalharam pelo país, foram impulsionadas pelo agravamento das condições econômicas e representam um dos maiores desafios enfrentados pelo regime iraniano nos últimos anos. A mídia estatal reconheceu as cenas nos centros forenses, mas atribuiu as mortes, em sua maioria, a “manifestantes violentos”, negando responsabilidade direta das forças de segurança.
Organizações de direitos humanos contestam essa versão. Para Michael Page, vice-diretor da divisão do Oriente Médio e Norte da África da Human Rights Watch, as autoridades iranianas são responsáveis pelas mortes e ferimentos registrados durante os protestos. Ele afirma que o governo não faz distinção clara entre manifestantes pacíficos e atos de violência, tratando qualquer mobilização em larga escala como ameaça ao regime.
O governo iraniano, por sua vez, afirma que orienta a população a não se juntar a protestos e sustenta que as forças de segurança atuam com contenção. Ainda assim, testemunhas relataram à CNN que a resposta estatal às manifestações foi marcada por violência.
Dados do grupo de direitos humanos HRANA indicam que mais de 500 pessoas morreram, incluindo menores de idade, e mais de 10 mil foram presas desde o início dos protestos no fim de dezembro. Os números, porém, não puderam ser verificados de forma independente, e a dimensão real das vítimas segue incerta devido às restrições de comunicação no país.
LEIA ABAIXO O RESUMO DA MATÉRIA:
- Vídeos mostram corpos empilhados em necrotérios improvisados após repressão a protestos no Irã
- Governo iraniano atribui mortes a manifestantes violentos, mas entidades de direitos humanos contestam
- Organizações estimam centenas de mortos e milhares de presos, embora números oficiais sigam incertos




















