Flávio Bolsonaro intensifica agenda em igrejas após sinais de divisão entre evangélicos
Movimento de liderança da Assembleia de Deus em favor de Caiado acende alerta na pré-campanha e motiva articulação com grandes denominações

Em meio a sinais de divisão no segmento evangélico, a pré-campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL) prepara uma série de visitas às principais igrejas do país para reforçar apoio à sua possível candidatura à Presidência. A estratégia surge após movimentações recentes que indicam um cenário menos homogêneo entre lideranças religiosas. As informações são do Metrópoles.
O alerta foi intensificado no dia 30 de março, quando o bispo Samuel Ferreira, do Ministério de Madureira — uma das maiores vertentes da Assembleia de Deus — declarou apoio ao governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD). A manifestação ocorreu durante o evento de lançamento da pré-candidatura do político e surpreendeu integrantes do meio político e religioso.
A sinalização destoou de movimentos anteriores da própria denominação. Dias antes, os deputados Cezinha de Madureira e Oséias de Madureira haviam deixado o PSD para se filiar ao PL, o que sugeria alinhamento nacional com o nome de Flávio.
Diante do novo cenário, aliados do senador articulam encontros com lideranças evangélicas de maior expressão. No último dia 6 de abril, Flávio esteve na sede da Assembleia de Deus Ministério do Belém, em São Paulo, onde recebeu oração do pastor José Wellington Bezerra da Costa, presidente de honra da Convenção Geral das Assembleias de Deus.
A organização da agenda tem sido conduzida pelo deputado federal Sóstenes Cavalcante (PL), que também é pastor licenciado da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, liderada por Silas Malafaia. Segundo ele, a ordem das visitas segue critérios baseados no levantamento do IBGE de 2010 sobre o tamanho das denominações, como forma de evitar desconfortos entre lideranças.
Entre os próximos compromissos previstos estão encontros com a Igreja do Evangelho Quadrangular e representantes da Igreja Batista. Também há articulação para um evento nacional da Congregação Cristã. Já no dia 3 de maio, Flávio deve participar de um encontro promovido pela Assembleia de Deus Vitória em Cristo.
Nos bastidores, entretanto, lideranças religiosas relatam insatisfação com a condução da pré-campanha. Há queixas sobre falta de diálogo e dificuldade de acesso ao senador, o que tem sido interpretado como sinal de distanciamento ou excesso de confiança no apoio automático do segmento.
Um episódio recente evidenciou o clima de tensão. Durante visita à Assembleia de Deus do Belém, o deputado Marco Feliciano (PL-SP) pediu a palavra para cobrar compromissos políticos, alegando que acordos firmados anteriormente não estariam sendo cumpridos, especialmente em relação à disputa ao Senado por São Paulo.
Apesar das divergências, lideranças próximas ao bolsonarismo, como Malafaia, avaliam que Flávio ainda deve concentrar a maior parte do apoio evangélico. Ele minimizou o gesto de Samuel Ferreira em favor de Caiado, classificando como uma preferência individual dentro de um campo político semelhante.
Nos bastidores, aliados tentam entender as motivações do apoio do Ministério de Madureira a Caiado. Entre as hipóteses estão insatisfações políticas em São Paulo e interesses regionais em Goiás. Também há interpretações de que a denominação busca manter interlocução com diferentes espectros políticos, incluindo aproximações com o governo federal.
Mesmo diante desse cenário, interlocutores do PL afirmam que há esforço para reaproximação com o grupo de Madureira e garantem que Flávio Bolsonaro deve participar de agendas com a denominação.
RESUMO:
- Pré-campanha de Flávio Bolsonaro intensifica visitas a igrejas após apoio de liderança evangélica a Ronaldo Caiado.
- Estratégia busca consolidar apoio das principais denominações e evitar desgaste com lideranças religiosas.
- Bastidores revelam insatisfação com falta de diálogo e disputas políticas internas no segmento evangélico.





















