Professor de Ponta Grossa se prepara para viagem de moto até o Alasca
Luiz Frederico Petla planeja percorrer cerca de 60 mil quilômetros em uma jornada que une aventura, planejamento e superação

O professor de Biologia Luiz Frederico Petla, de Ponta Grossa, está na fase final de preparação para realizar a viagem de sua vida. O destino é ousado: sair do Sul do Brasil e chegar ao Alasca, em Prudhoe Bay, nos Estados Unidos, em uma expedição de moto que pode ultrapassar 60 mil quilômetros entre ida e volta.
Conhecido entre amigos como “Fred”, ele conta que a ideia nasceu de forma despretensiosa, durante uma viagem ao extremo sul do continente. “Eu estava no Ushuaia com a minha mulher e falei: ‘Pô, você está no sul da América’. Aí pensei: se der boa, eu vou para o Alasca”, relembra.
O que começou como uma conversa informal em um hostel virou um projeto de longo prazo. Segundo Petla, foram cerca de três anos de preparação, principalmente no aspecto financeiro e profissional. “A preparação é mais financeira. Você precisa organizar o trabalho, achar substituto para o período fora. Porque numa viagem de quase 30 mil quilômetros só de ida, muita coisa pode acontecer”, explica.
Planejamento e desafios
A documentação é um dos pontos mais burocráticos da viagem. O professor destaca a importância de pesquisar as exigências de cada país. “Tem que entrar no site de cada país e ver o que é necessário. Na Argentina precisa do seguro Carta Verde, no Chile tem outras exigências. Grande parte você resolve na fronteira, mas tem que estar atento”, orienta.
O vídeo abaixo é uma reportagem especial produzida por Bernardo Rosas, em parceria com o Viver Bem. Confira:
Além da papelada, a segurança também faz parte do planejamento. Para reduzir riscos, Petla adotou algumas estratégias. “Sempre tem gente preocupada com golpe ou extorsão. Uma coisa que ajuda é manter câmera ligada na moto. Isso já inibe muita coisa”, conta.
Preparação da moto
A motocicleta também passa por revisão completa antes da partida. Petla afirma que a escolha do modelo levou em conta a facilidade de manutenção ao longo do trajeto. “A minha moto está sendo inteira desmontada. Ou você pega uma moto muito boa, ou uma que tenha assistência em qualquer lugar. Problema mecânico vai dar, isso é certo, então tem que estar preparado”, diz.
Entre os cuidados, ele pretende seguir rigorosamente as recomendações do fabricante para troca de óleo durante a viagem.
Um dos pontos mais desafiadores da rota é a travessia entre Colômbia e Panamá, na região conhecida como Estreito de Darién, onde não há passagem terrestre. “Ali você não passa de moto. A ideia é enviar a moto de avião até o Panamá. É a região mais perigosa das Américas, sem dúvida”, afirma.
Bagagem enxuta e estratégia
Para enfrentar meses na estrada, o professor optou por levar o mínimo possível. “Vou levar uma caixa e uma mochila: duas ou três camisetas, duas calças, roupa íntima e ferramentas. Tem que ser leve”, explica.
Itens de sobrevivência também entram na lista. “Sempre carrego pelo menos um litro de água de reserva e um galão de gasolina de uns cinco litros. Tem lugar que você roda 500, 600 quilômetros sem posto”, alerta. Roupas de frio mais pesadas devem ser compradas apenas quando ele se aproximar do Alasca.
Rota e cronograma
A previsão inicial é percorrer cerca de 27 mil quilômetros até o norte do Alasca, podendo chegar a 30 mil com desvios turísticos. A viagem completa deve durar cerca de cinco meses.
A estratégia será alternar períodos de pilotagem e descanso. “A ideia é rodar seis dias e parar um. Subindo deve dar uns 88 dias, com uma margem extra para imprevistos”, explica.
Entre o sonho e o medo
Apesar da experiência em viagens de moto, Petla admite que o projeto traz apreensão, mas a vontade de realizar o sonho fala mais alto. “Hoje confesso que tenho um pouco de medo. São muitas coisas que podem dar errado. Mas penso: por que não ir? Se eu não for, vou me arrepender”, reflete.
Para ele, a viagem vai além da aventura. “Se você levar a vida como um jogo, no final você perde, porque todo mundo morre. Então tem que curtir o caminho. A ideia é aproveitar enquanto eu posso”, conclui. A equipe do Portal aRede deseja uma boa viagem ao professor Fred.




















