Ponta Grossa não sofre por falta de patrimônio, sofre por falta de cultura de preservação | aRede
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Ponta Grossa não sofre por falta de patrimônio, sofre por falta de cultura de preservação

Conselheiro, arquiteto acredita que faltam ações do poder público que beneficiem o uso desses espaços, contribuindo com a preservação histórica da cidade

Henrique Wosiack Zulian é conselheiro na área de Urbanismo
Henrique Wosiack Zulian é conselheiro na área de Urbanismo -

Rodolpho Bowens

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O conselheiro da área de Urbanismo do Grupo aRede, Henrique Wosiack Zulian, explica que em Ponta Grossa há vários patrimônios históricos, porém, ainda falta para a sociedade uma cultura de preservação desses locais - o debate é referente a uma reportagem especial do Portal aRede.

Para ele, que é arquiteto e urbanista, alguns pontos precisam ser melhorados no município:

- Somente o tombamento dos imóveis históricos não é suficiente;

- Donos de imóveis tombados precisam de apoio para manterem os locais;

- Os patrimônios históricos precisam ter 'vida' e serem utilizados pela população;

- A infraestrutura urbana também deve contribuir para a preservação desses locais.

Confira abaixo a opinião na íntegra de Henrique, graduado em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), pós-graduado pela Escola da Cidade e mestre na área de Projeto Arquitetônico pela Universidade de São Paulo (FAU-USP). Ele também tem dezesseis premiações em concursos de arquitetura pelo Brasil, inclusive em Ponta Grossa:

"A própria matéria mostra isso. Mesmo após décadas de destruição, ainda temos um acervo rico e diverso, mas que ainda é tratado como obstáculo e não como ativo da cidade. E aí entra o primeiro ponto: preservar patrimônio não começa no tombamento, começa na cultura. Enquanto a população não se reconhecer nesses espaços, eles sempre vão parecer um problema de 'alguém', nunca um valor coletivo.

E isso se conecta diretamente com outro problema: hoje, ser dono de um imóvel tombado muitas vezes é visto como uma 'bucha'. E isso é grave. Se a gente quer preservar, precisa inverter essa lógica. Criar incentivos reais, sejam fiscais, técnicos ou até linhas de financiamento, que tornem esses imóveis desejáveis. O patrimônio precisa ser uma oportunidade, e não uma punição.

Mas tem um ponto ainda mais central: patrimônio sem uso não se sustenta. A gente insiste em restaurar edifícios sem resolver o que vai acontecer depois. E aí eles voltam a degradar. Uso é o que mantém o prédio vivo, é o que gera fluxo, segurança e pertencimento. E pensar no uso deve ser tão estratégico quanto, para que não ocorram falácias de 'não deu certo porque o prédio era velho'.

VÍDEO
Assista à opinião do conselheiro Henrique | Autor: Colaboração.

E não dá para falar de patrimônio sem falar do entorno, principalmente quando há conjunto. Se a calçada é ruim, a fiação polui a paisagem, a rua não convida à permanência, a tendência é o enfraquecimento da percepção histórica. O cenário urbano precisa valorizar esses espaços que hoje, muitas vezes, faz o contrário. Logo, reformas de passeios, elevação e troca de revestimento de vias, retiradas de fiação aérea deveriam ser realizadas em locais como a avenida Vicente Machado, rua XV de Novembro e Praça Floriano Peixoto.

Por fim, tem a questão da visibilidade e do acesso. Muitos dos nossos patrimônios estão escondidos atrás de grades, isolados. Isso enfraquece completamente o vínculo com a população e gera uma quebra de fruição estética. Patrimônio precisa ser visto, vivido e apropriado. E isso passa tanto por desenho urbano quanto por gestão e fiscalização. A grade em frente a um patrimônio é também uma forma de vandalização que degrada o valor estético e simbólico do bem.

No fim das contas, a preservação em Ponta Grossa não depende só de mais tombamentos. Depende de uma mudança de mentalidade: entender que patrimônio não é passado, é ferramenta de futuro, urbano, cultural e que pode gerar fluxo e renda turística".

Conselho da Comunidade

Composto por lideranças representativas da sociedade, não ocupantes de cargo eletivo, totalizando 14 membros, a iniciativa tem o objetivo de debater, discutir e opinar sobre pautas e temas de relevância local e regional, que impactam na vida dos cidadãos, levantados semanalmente pelo Portal aRede e pelo Jornal da Manhã, com a divulgação em formato de vídeo e/ou artigo.

Conheça mais detalhes dos membros do 'Conselho da Comunidade' acessando outras notícias sobre o projeto.

Leia abaixo um resumo do artigo

- Cultura e Incentivos além do Tombamento: para Zulian, a preservação começa na cultura e não apenas no papel. Ele argumenta que o tombamento é muitas vezes visto como um fardo ('bucha') pelos proprietários. Para mudar isso, sugere que a prefeitura ofereça incentivos reais - como apoio técnico, linhas de financiamento e benefícios fiscais - tornando o imóvel histórico uma oportunidade econômica e não uma punição;

- Uso como Ferramenta de Manutenção: o artigo destaca que 'patrimônio sem uso não se sustenta'. A restauração de um edifício deve vir acompanhada de um plano estratégico de ocupação. É o fluxo de pessoas, o comércio e as atividades culturais que garantem a segurança, a manutenção contínua e o sentimento de pertencimento da população em relação ao prédio;

- Infraestrutura e Visibilidade Urbana: a preservação deve englobar o entorno dos imóveis. O urbanista defende melhorias nas calçadas, a retirada de fiação aérea e, principalmente, o fim do isolamento por grades. Para ele, esconder um patrimônio atrás de cercas é uma forma de vandalismo estético que quebra o vínculo com o cidadão; o patrimônio precisa ser visto e vivido para ser valorizado.

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