Coamo fechou 2025 com receita estável de R$ 28,7 bilhões
As sobras distribuídas aos cooperados aumentaram 3,2%

Em um ano de preços deprimidos dos grãos, a Coamo Agroindustrial, maior cooperativa agrícola do país, com sede em Campo Mourão (PR), encerrou 2025 com receita de R$ 28,7 bilhões, resultado praticamente estável em relação ao ano anterior, quando chegou a R$ 28,8 bilhões de receita. Os resultados foram aprovados em assembleia-geral ordinária realizada nesta quinta-feira (5).
A sobra líquida atingiu R$ 2,019 bilhões, ante R$ 2,028 bilhões no ano anterior, uma retração de 0,4%. As sobras distribuídas aos cooperados, após a dedução dos fundos estatutários, somaram R$ 716 milhões, representando um aumento de 3,2% em relação ao valor distribuído em 2024. O número de cooperados atingiu 32,7 mil, contra 32 mil no ano anterior. A distribuição da segunda parcela das sobras será realizada nesta sexta-feira (6).
De acordo com o presidente do conselho de administração da Coamo, José Aroldo Gallassini, além das sobras de R$ 716 milhões, o valor distribuído inclui R$ 26 milhões de capital social aos cooperados com 65 anos ou mais e que completaram 10 anos de permanência na Coamo, R$ 14,5 milhões em ICMS, e R$ 66,3 milhões do programa Fideliza em créditos para aquisição de insumos agrícolas, máquinas, peças e produtos veterinários.
“Foi um ano de dificuldade para o setor de grãos, por conta da queda nos preços internacionais, mas conseguimos entregar um bom resultado aos cooperados”, afirmou o presidente executivo da Coamo, Airton Galinari. Ele acrescentou que a queda nos preços dos grãos foi compensada em parte pelo aumento da produção e melhora da produtividade nas lavouras.
Em 2025, a Coamo recebeu 9,6 milhões de toneladas de produtos, representando 2,7% da produção brasileira de grãos. Em relação ao volume recebido em 2024, houve aumento de 19,7%.
Galinari disse que o recebimento de soja alcançou 5 milhões de toneladas, ficando acima do volume recebido em 2024, mas abaixo da expectativa para 2025, que era chegar a 6 milhões de toneladas. “No ano passado algumas áreas tiveram perdas por causa do calor, que afetou a produção de soja, mas favoreceu o milho segunda safra”, disse Galinari. A produção de milho atingiu volume recorde de 4 milhões de toneladas.
A produção de trigo ficou praticamente estável em relação ao ano anterior, ficando em torno de 370 mil toneladas. “No geral houve mais grãos, porém o preço foi mais baixo. O que segurou um pouco foi a velocidade mais lenta da comercialização, porque o estoque de passagem era maior”, disse Galinari.
A Coamo exportou 3,763 milhões de toneladas de commodities e produtos alimentícios, por meio dos portos de Paranaguá (PR) e São Francisco do Sul (SC), gerando um faturamento de US$ 1,469 bilhão, contra 4,34 milhões de toneladas em 2024, com faturamento de US$ 1,878 bilhão.
“A comercialização da soja e do milho foram afetadas pelo excesso de estoques mundiais e retração nas compras pela China. Além disso, a política de taxas sobre importação dos Estados Unidos contribuiu para a instabilidade do mercado”, comentou Gallassini.
Para 2026, a Coamo espera receber 20% mais soja que no ano passado, chegando a algo entre 6 milhões de toneladas e 6,3 milhões de tonelada. Em relação ao milho, a previsão é receber entre 3,6 milhões e 3,8 milhões de toneladas. Galinari disse que as vendas de soja estão atrasadas em relação à safra passada, atingindo cerca de 16%.
“Já tivemos anos em que a venda chegava a 30%, 35% nessa época. Isso é um fator que pressiona bastante a logística, que tende a ser um desafio nesta safra”, afirmou Galinari. Ele acrescentou que o cenário internacional apresenta estoques altos de grãos e safras cheias no Brasil, na Argentina e nos Estados Unidos, o que deve manter os preços pressionados ao longo do ano.
Em relação ao trigo, o executivo disse que os produtores se decepcionaram com a safra passada e há risco de uma substituição das áreas de trigo por milho ou alguma forrageira. Do lado positivo, Galinari estima aumento no faturamento com a venda de insumos neste ano, passando de R$ 10 bilhões, contra R$ 9 bilhões em 2025.
Informações: Globo Rural




















