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'Custo guerra' e crise fiscal pressionam inflação de alimentos no Brasil

Alta de 0,61% no Índice de Preços ao Produtor em março reflete aperto financeiro no campo e encarecimento de insumos básicos

Colheita de soja em 2026 ocorre sob pressão de custos logísticos e restrição de crédito bancário
Colheita de soja em 2026 ocorre sob pressão de custos logísticos e restrição de crédito bancário -

Publicado por Eduarda Gomes

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O encerramento do verão de 2026 traz um novo alerta para a economia brasileira: o ressurgimento do fantasma inflacionário puxado pelos alimentos. Em março, o Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA) registrou alta de 0,61%, revertendo a queda de fevereiro e impulsionando o IGP-M para 0,52%. O movimento é reflexo direto da instabilidade no Oriente Médio, que encareceu derivados de petróleo e fertilizantes, somando-se ao aumento sazonal em produtos como bovinos, ovos, leite e feijão.

Especialistas apontam que a fragilidade do setor agropecuário vai além do campo, expondo um cenário de restrição de crédito e alto endividamento. Com a inadimplência no agro atingindo 11,5% em 2025, o acesso a financiamentos tornou-se mais caro e rigoroso. Essa pressão financeira obriga o produtor a repassar custos para o preço final, alimentando um ciclo de alta que atinge diretamente o bolso do consumidor. As informações são da CNN Brasil.

RISCO FISCAL E TAXA DE JUROS

A política fiscal brasileira também aparece como um entrave para o setor. Segundo Wolney Arruda, presidente da Plantae Agrocrédito, o elevado déficit público impede uma queda mais agressiva da taxa Selic. "Se o produtor está produzindo com um custo bem mais alto, seja pela taxa de juros ou pelo custo de produção, e ainda com maiores exigências de garantias por parte dos bancos, ele terá uma safra muito mais cara e, consequentemente, venderá seu produto com um preço mais alto", explica.

O cenário projeta dificuldades para o próximo Plano Safra, com a probabilidade de que o governo tenha menos fôlego para subsidiar taxas, empurrando os agricultores para linhas de crédito livre, indexadas ao CDI. Em ano eleitoral, a combinação de juros altos e alimentos caros torna-se um desafio político e econômico, limitando a capacidade de expansão de subsídios sem comprometer a percepção de risco do país.

LEIA ABAIXO UM RESUMO DA NOTÍCIA

- Inversão de Tendência: O preço ao produtor (IPA) voltou a subir em março (0,61%), puxado por itens básicos como leite, ovos e carnes, além do impacto do petróleo.

- Crise de Crédito: A inadimplência no campo superou os 11% no último ano, tornando os bancos mais restritivos e elevando o custo operacional para os agricultores.

- Impacto Fiscal: O déficit público elevado e a geopolítica travam a queda dos juros, pressionando o orçamento do governo para o Plano Safra e encarecendo o custo final dos alimentos.

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