Gestão e planejamento definem sobrevivência da pecuária de corte
Especialistas alertam que modelo extrativista está defasado e que até 50% das fazendas podem fechar em duas décadas por falta de adaptação

O futuro da pecuária de corte no Paraná e no Brasil dependerá cada vez menos do "acaso" e mais da capacidade gerencial do produtor. Em reunião da Comissão Técnica de Bovinocultura de Corte do Sistema FAEP, realizada na segunda-feira (30), especialistas destacaram que a eficiência interna é a única blindagem real contra as oscilações de mercado e crises globais, como os reflexos da guerra no Oriente Médio.
Segundo dados, divulgados pelo Sistema FAEP, cerca de metade das propriedades pecuárias corre o risco de encerrar atividades em 20 anos se não abandonarem o modelo extrativista. Antigamente bastava "soltar o boi no pasto". Hoje, com margens apertadas e pressão de arrendamento para outras culturas, a fazenda precisa ser gerida como uma empresa de alta performance.
Para Ágide Meneguette, presidente do Sistema FAEP, o Paraná possui um potencial gigante, mas que exige proteção e profissionalismo. Rodolpho Botelho, presidente da Comissão Técnica, reforçou que 2026 é um ano de retomada, especialmente na produção de bezerros, consolidando o Brasil como o principal exportador mundial, à frente dos Estados Unidos.
PILARES DA EFICIÊNCIA
A nova pecuária exige foco em indicadores precisos. Entre os pontos cruciais listados para garantir a rentabilidade estão o Ganho Médio Diário (GMD), que acelera o giro do estoque, e o manejo correto de pastagens para evitar a degradação do solo. Além da tecnologia, o fator humano foi apontado como diferencial. Fazendas com equipes qualificadas e bem remuneradas apresentam resultados superiores.
LEIA ABAIXO UM RESUMO DA NOTÍCIA
- Fim do Extrativismo: O modelo de baixo investimento e pouca gestão é considerado inviável para as próximas décadas; a profissionalização é a chave para evitar o fechamento de propriedades.
- Indicadores de Sucesso: O lucro da fazenda está atrelado ao manejo de pastagens, taxa de lotação e à qualificação da mão de obra, indo muito além do simples preço de venda da arroba.
- Cenário de Retomada: 2026 marca a recuperação da cria de bezerros, posicionando o Brasil em vantagem estratégica no mercado externo em um período de forte demanda mundial.




















