Cigarrinha-do-milho causa prejuízo de US$ 25,8 bilhões ao Brasil em 4 anos
Estudo inédito da Embrapa, Epagri e CNA revela que o país perdeu quase 23% da safra anual entre 2020 e 2024; aumento no custo com inseticidas pressiona rentabilidade do produtor

A cigarrinha-do-milho (Dalbulus maidis) consolidou-se como o maior desafio sanitário da agricultura brasileira nas últimas décadas. Um estudo conjunto conduzido pela Embrapa Cerrados, pela Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri) e pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) quantificou, pela primeira vez, o impacto devastador dos enfezamentos transmitidos pelo inseto. Entre as safras de 2020 e 2024, o Brasil registrou uma perda média anual de 22,7% de sua produção de milho, o que equivale a um prejuízo de aproximadamente 6,5 bilhões de dólares por ano.
No acumulado das quatro safras analisadas, o montante de perdas financeiras atingiu a marca impressionante de 25,8 bilhões de dólares. Em volume físico, isso significa que cerca de 2 bilhões de sacas de 60 quilos deixaram de ser colhidas devido às doenças transmitidas pelo vetor, como o enfezamento pálido e o enfezamento vermelho.
RADIOGRAFIA DO IMPACTO ECONÔMICO
Para chegar a esses números, os pesquisadores cruzaram séries históricas da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) desde 1976 com dados de campo coletados pelo projeto Campo Futuro, da CNA e do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), em 34 municípios polo da produção nacional. O levantamento revelou que o pior momento ocorreu na safra 2020/2021, com uma quebra de 28,9%. Embora o índice tenha caído para 16,7% na safra 2023/2024, o custo para manter a praga sob controle disparou. As informações são da Assessoria de Imprensa.
O gasto médio com a aplicação de inseticidas subiu 19% no período, superando os nove dólares por hectare. Charles Oliveira, pesquisador da Embrapa Cerrados, destaca que em 80% das localidades avaliadas, a cigarrinha foi o fator central para a queda de produtividade. Além disso, o problema é agravado pela ausência de tratamentos curativos: uma vez infectada, a planta pode sofrer perda total, especialmente em híbridos suscetíveis.
MUDANÇAS NO SISTEMA E DESAFIOS DE MANEJO
Historicamente, os enfezamentos eram problemas secundários, mas tornaram-se frequentes a partir de 2015. Especialistas apontam que a expansão da "safrinha" e o cultivo de milho durante quase todo o ano criaram uma "ponte verde", favorecendo a sobrevivência ininterrupta da cigarrinha e dos patógenos.
Como a praga possui alta capacidade de dispersão, o controle baseado apenas em produtos químicos tem se mostrado insuficiente. A pesquisa recomenda o Manejo Integrado, que inclui:
- Eliminação do milho tiguera: Retirada de plantas voluntárias que nascem na entressafra.
- Sincronização do plantio: Evitar janelas longas de semeadura entre vizinhos.
- Uso de híbridos resistentes: Priorizar sementes com tolerância genética às doenças.
- Controle Biológico: Uso de fungos inimigos naturais da cigarrinha como alternativa ao químico.
O impacto dessas perdas transborda para a economia geral, afetando a produção de proteína animal (aves e suínos) e biocombustíveis, o que eleva os preços ao consumidor final e pressiona a segurança alimentar do país.
LEIA ABAIXO UM RESUMO DA NOTÍCIA
- Prejuízo Bilionário: O impacto econômico dos enfezamentos transmitidos pela cigarrinha somou 25,8 bilhões de dólares entre 2020 e 2024.
- Quebra de Safra: O Brasil deixou de produzir, em média, 22,7% do milho esperado anualmente, totalizando 2 bilhões de sacas perdidas no período.
- Custos em Alta: Além da perda de produtividade, os agricultores enfrentaram um aumento de 19% nos custos com inseticidas para tentar conter a praga.




















