Queijarias do Oeste do PR transformam leite em produtos premiados e de alto valor agregado
Agroindústrias familiares de Palotina e Toledo profissionalizam produção artesanal, conquistam selos sanitários e apostam no turismo rural para multiplicar faturamento

No Oeste do Paraná, a produção artesanal de queijos deixou de ser uma atividade complementar para se tornar um modelo de negócio de alta performance técnica e mercado definido. Em propriedades familiares localizadas nos municípios de Palotina e Toledo, quatro agroindústrias estruturaram processos que elevam o leite ao status de iguaria, focando na padronização da matéria-prima, controle rigoroso de maturação e conformidade sanitária.
O resultado dessa transformação é visível na presença constante em premiações estaduais e na expansão dos canais de comercialização. Ao transformar o leite em queijos finos, os produtores conseguem um valor agregado que chega a ser de quatro a seis vezes superior ao preço pago pelo litro de leite comum, além de diversificarem a receita com experiências gastronômicas e visitação turística. As informações foram divulgadas pelo portal de notícias do MilkPoint.
CASOS DE SUCESSO
Na Granja Santo Expedito, em Palotina, os proprietários Alcelio e Tatiane Bombacini adotaram uma estratégia ousada: reduziram o rebanho de 40 para 20 vacas para priorizar a qualidade extrema. A decisão rendeu 18 premiações para um portfólio de 20 tipos de queijos autorais, como o "Faraó" e a "Múmia" (maturado em manteiga ghee). Com selo do Serviço de Inspeção Federal (SIF), a marca já planeja chegar às capitais Curitiba e São Paulo.
Em Toledo, a Queijaria Della Pasqua utiliza seus 15 alqueires de mata nativa e cachoeiras como cenário para o turismo rural. "percebemos que o consumidor quer conhecer a origem do alimento", afirma Andreia Della Pasqua. A família, que produz o premiado Jack Cheese, utiliza o sistema de sanidade estadual para vender em todo o Paraná.
A Atani Queijaria também aposta na proximidade com o público através de jantares de mesa posta aos sábados e um modelo de venda direta por assinatura. Segundo a fundadora Cirlei Rossi dos Santos, levar o cliente até a propriedade garante que ele entenda e valorize o processo produtivo. Já na Queijaria Vila Belli, a produtora Gelir Maria Giombelli prova que escala não é tudo: em apenas três alqueires, ela produz queijos de nicho como o Tomme Negro d’Oeste, focando na qualidade desde a ordenha.
IDENTIDADE E MERCADO
O ponto comum entre essas trajetórias é a transição do leite como commodity para um produto com identidade e história. O domínio técnico da maturação e as certificações sanitárias permitiram que essas famílias assumissem o controle total sobre o preço final, eliminando atravessadores e criando agroindústrias rentáveis que servem de modelo para outras regiões do estado.
LEIA ABAIXO UM RESUMO DA NOTÍCIA
- Valor Agregado: A transformação do leite em queijos finos e autorais aumenta o lucro dos produtores em até seis vezes na comparação com a venda do leite in natura.
- Turismo e Experiência: Além da venda direta, as queijarias apostam em jantares, visitas guiadas e lojas próprias para fidelizar consumidores e aumentar a receita.
- Profissionalização: O sucesso das marcas deve-se à obtenção de selos de inspeção (SIF e estaduais), padronização genética do rebanho e controle técnico de maturação.




















