Uso de terraços em lavouras do Paraná reduz perda de solo em até 99%
Estudo realizado pela Rede Paranaense de Agropesquisa no Norte do estado demonstra que a prática conservacionista evita prejuízos financeiros e protege recursos hídricos contra chuvas intensas

Um estudo de longo prazo conduzido pela Rede Paranaense de Agropesquisa trouxe dados contundentes sobre a eficácia dos terraços na conservação agrícola. Segundo a pesquisa, realizada entre 2018 e 2024 na região de Cambé (PR), a adoção dessas estruturas de contenção é capaz de diminuir a perda de solo em até 99% e a de água em 80%.
O monitoramento utilizou megaparcelas experimentais para comparar áreas com e sem terraços em propriedades que cultivam soja no verão e milho na segunda safra. As informações sobre os resultados da pesquisa e a importância das práticas conservacionistas foram divulgadas pelo portal de notícias do Sistema FAEP.
Em um evento crítico registrado em novembro de 2024, onde choveram 96 milímetros em cinco dias, a diferença foi drástica. A área sem terraço perdeu 10 toneladas de sedimentos por hectare, enquanto a área protegida registrou uma perda de apenas 18 quilos por hectare.
Além da preservação da camada fértil, o estudo destaca o impacto econômico direto. Em experimentos realizados em Londrina, a perda de nutrientes e fertilizantes por erosão chegou a US$ 282 por hectare em áreas sem terraço, contra apenas US$ 32 nas áreas manejadas corretamente. A pesquisadora Graziela Barbosa, coordenadora da equipe, alerta que a prática é obrigatória no Paraná (Lei Estadual 8.014/1984) e o descumprimento pode gerar autuações pela Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar).
Para Ágide Eduardo Meneguette, presidente do Sistema FAEP, o respaldo científico é essencial para que o produtor otimize a produção e garanta a sustentabilidade do meio rural. Especialistas reforçam, no entanto, que o terraço deve ser parte de um sistema integrado, que inclui o plantio direto, a rotação de culturas e o plantio em nível.
LEIA ABAIXO UM RESUMO DA NOTÍCIA
- Eficiência Comprovada: O uso de terraços reduz drasticamente o impacto ambiental, retendo até 99% do solo e 80% da água que seriam perdidos em enxurradas.
- Impacto Financeiro: A falta de conservação pode custar ao produtor quase nove vezes mais em perda de fertilizantes (nitrogênio, fósforo e potássio) comparado a áreas protegidas.
- Exigência Legal: No Paraná, o terraceamento é obrigatório por lei; a ausência da técnica pode resultar em multas ambientais e comprometer a produtividade a longo prazo.





















