Opinião da Embrapa sobre 'Novo Contorno' de PG não pode ser vista como problema | aRede
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Opinião da Embrapa sobre 'Novo Contorno' de PG não pode ser vista como problema

Conselheira, médica-veterinária também lembra a importância de estudos ambientais sérios para o avanço das obras

Érika Zanoni é conselheira da Causa Animal
Érika Zanoni é conselheira da Causa Animal -

Rodolpho Bowens

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A conselheira da Causa Animal do Grupo aRede, Érika Zanoni Fagundes Cunha, explica que o posicionamento da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) sobre o 'Novo Contorno' de Ponta Grossa não pode ser ignorado - o debate é referente a uma reportagem especial do Portal aRede. Além disso, a pesquisadora questiona se estudos ambientais sérios estão sendo realizados para a obra viária - uma das mais importantes para o município nos últimos anos.

Confira abaixo a opinião na íntegra da Érika, que é médica veterinária, especialista em Neurociência Clínica, mestre em Ciências Veterinárias, doutora em Zoologia e pós-doutora em Direito Animal pela Universidade Federal do Paraná (UFPR):

"A discussão em torno do novo contorno rodoviário de Ponta Grossa não pode ser reduzida a uma simples disputa entre ser a favor ou contra uma obra de infraestrutura. Trata-se, na verdade, de um debate muito mais amplo, que envolve planejamento territorial, produção científica, sustentabilidade e respeito à vida.

Nesse contexto, chama a atenção o posicionamento da Embrapa, uma instituição pública reconhecida nacional e internacionalmente pela seriedade de suas pesquisas. Ao longo de décadas, a Embrapa teve papel fundamental no desenvolvimento do agronegócio brasileiro, na melhoria do uso do solo, na segurança alimentar e na produção de conhecimento científico aplicado à realidade do país. Quando uma instituição desse porte manifesta preocupação técnica em relação a um traçado viário, isso não pode ser interpretado como entrave ao desenvolvimento, mas como um alerta qualificado que merece ser ouvido.

A matéria destaca a existência de estudos geológicos, geofísicos e de engenharia relacionados ao traçado proposto. Esses estudos são, sem dúvida, essenciais para a viabilidade de qualquer obra. No entanto, chama a atenção a ausência de menção clara a estudos específicos de fauna e biodiversidade, especialmente em uma região que abriga áreas rurais, fragmentos naturais e corredores ecológicos importantes.

VÍDEO
Assista à opinião da conselheira da Causa Animal | Autor: Colaboração.

Rodovias não impactam apenas o fluxo de veículos. Elas fragmentam habitats, alteram dinâmicas ecológicas, isolam populações de animais e aumentam significativamente os índices de atropelamento de fauna silvestre. Esses efeitos são amplamente documentados pela ciência ambiental e precisam ser considerados desde a fase de planejamento, e não apenas como medidas corretivas posteriores.

Obras de grande porte exigem equipes multidisciplinares. Engenheiros, geólogos e especialistas em infraestrutura são fundamentais, mas não suficientes. É indispensável a participação de biólogos, veterinários, ecólogos e outros profissionais da área ambiental, capazes de avaliar riscos, propor traçados alternativos, planejar passagens de fauna e reduzir impactos irreversíveis sobre os ecossistemas locais.

Desenvolvimento real e duradouro não se constrói apenas com asfalto. Ele se constrói com diálogo, ciência, planejamento integrado e responsabilidade ambiental. Ouvir instituições de pesquisa, considerar diferentes áreas do conhecimento e incluir a vida animal nas decisões públicas não é atraso, é avanço. É assim que se planeja o futuro de um território de forma ética, sustentável e verdadeiramente inteligente".

CONSELHO DA COMUNIDADE

Composto por lideranças representativas da sociedade, não ocupantes de cargo eletivo, totalizando 14 membros, a iniciativa tem o objetivo de debater, discutir e opinar sobre pautas e temas de relevância local e regional, que impactam na vida dos cidadãos, levantados semanalmente pelo Portal aRede e pelo Jornal da Manhã, com a divulgação em formato de vídeo e/ou artigo.

Conheça mais detalhes dos membros do 'Conselho da Comunidade' acessando outras notícias sobre o projeto.

LEIA ABAIXO UM RESUMO DO ARTIGO

- Validação Científica: a conselheira defende que o alerta técnico da Embrapa sobre o traçado da obra não pode ser ignorado ou visto como um "entrave". Por ser uma instituição de renome internacional, seus questionamentos devem ser interpretados como uma contribuição científica essencial para um planejamento territorial responsável;

- Impacto na Fauna e Biodiversidade: Érika aponta uma lacuna em estudos específicos sobre a vida animal, alertando que rodovias fragmentam habitats e isolam populações silvestres. Ela reforça que o risco de atropelamentos e a alteração da dinâmica ecológica devem ser mitigados no planejamento, e não tratados apenas com medidas corretivas após a conclusão;

- Planejamento Multidisciplinar: o artigo sustenta que o desenvolvimento de Ponta Grossa não deve se basear apenas em engenharia e asfalto. É indispensável a inclusão de biólogos, veterinários e ecólogos nas equipes de projeto para garantir que a infraestrutura seja ética, sustentável e verdadeiramente inteligente.

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