Concessão do Centro de Eventos pode trazer mais valor a Ponta Grossa
Conselheiro, médico entende que atual modelo de gestão do espaço, com pouco uso, é como uma atrofia em um músculo

O conselheiro da Saúde do Grupo aRede, Mario Rodrigues Montemor Netto, explica que o atual modelo de gestão do Centro de Eventos de Ponta Grossa é como se fosse uma sarcopenia, ou seja, a atrofia de um músculo, já que o local é pouco utilizado - o debate é referente a uma reportagem especial do Portal aRede. Para ele, a concessão do espaço pode trazer mais 'saúde' ao município, no sentido de mais eventos que impulsionarão a economia da cidade.
Confira abaixo a opinião na íntegra de Mário, que é médico, pesquisador, professor e presidente da Associação Médica de Ponta Grossa (AMPG):
"Ao analisarmos a manchete de que a 'subutilização e alto custo inviabilizam a gestão do Centro de Eventos de Ponta Grossa', é dever deste conselho traduzir a linguagem administrativa para a realidade fisiológica de Ponta Grossa. Se a nossa cidade é um organismo vivo, o Centro de Eventos - com seus 227 mil metros quadrados - não é apenas um prédio; é um órgão vital de grande porte que, infelizmente, encontra-se em estado de falência múltipla funcional.
O diagnóstico clínico apresentado pela Prefeitura Municipal de Ponta Grossa (PMPG) através do Projeto de Lei nº 007/2026 é grave. Estamos diante de um caso clássico de 'Atrofia por Desuso' combinada com 'Hemorragia Crônica'.
O Diagnóstico: Por que o modelo atual faliu?
A manutenção de uma estrutura desta magnitude exige um metabolismo que a máquina pública, limitada por burocracias e orçamentos engessados, não consegue prover. O resultado é o que vemos: reformas paliativas que consomem milhões sem resolver a causa base. É o equivalente a tratar uma infecção generalizada apenas com antitérmicos.
Estudos acadêmicos reforçam que a hospedagem de eventos deve ser uma ferramenta estratégica de desenvolvimento urbano e modernização da infraestrutura. A subutilização gera um ciclo vicioso: sem eventos, não há receita; sem receita, a estrutura degrada; degradada, ela afasta os produtores. A Medicina de Precisão nos ensina que cada paciente é único. O Centro de Eventos de Ponta Grossa tem um 'DNA' vocacionado para o agronegócio, o turismo universitário e festas populares. Tentar gerir esse gigante como se fosse um prédio administrativo comum é um erro de prescrição.
A Patologia: Sarcopenia e Desperdício de Nutrientes
Na medicina, músculo que não se mexe, atrofia (sarcopenia). Um complexo capaz de abrigar 40 mil pessoas que permanece fechado na maior parte do ano comporta-se como um membro paralisado. Ele não gera movimento, não bombeia 'sangue' (fluxo econômico) para o sistema hoteleiro e gastronômico. A ciência demonstra que eventos bem geridos aumentam as vendas locais, atraem investimentos externos e fortalecem o comércio.
No jargão médico, estamos aplicando band-aid em fratura exposta. O custo fixo de manutenção representa uma hemorragia de nutrientes: o município está desnutrindo áreas essenciais, como a saúde básica, para manter artificialmente 'vivo' um órgão em coma induzido.
O Tratamento: Transplante com 'Vacinas' Preventivas
A proposta de concessão por 20 anos não deve ser encarada como uma amputação (venda), mas como um transplante de gestão para fortalecer a identidade espacial e o valor da cidade. Para que o organismo não rejeite esse novo componente, precisamos aplicar cinco 'vacinas técnicas' no edital, garantindo que a Medicina Preventiva proteja a população:
- Imunidade em Emergências: o contrato deve prever a cessão gratuita do espaço em casos de calamidade pública ou pandemias. O Centro de Eventos deve ser nossa 'Reserva Biológica' para hospitais de campanha ou vacinação em massa;
- Suporte à Vida Permanente: o concessionário deve manter um Módulo de Atendimento Médico fixo com sala de estabilização, garantindo que a saúde humana - inseparável das condições ambientais - seja priorizada;
- Saneamento Metabólico: um plano rigoroso de gestão de resíduos e controle de vetores é vital. A reabilitação de áreas subutilizadas elimina focos de doenças e melhora a imagem do município;
- Inclusão e Saúde Mental (Zonas de Descompressão): uma cidade saudável não exclui. As 'Quiet Zones' para neurodivergentes garantem que o lazer não se transforme em crise para autistas ou pessoas em sofrimento mental. É a neurodiversidade respeitada na fisiologia do evento e a garantia de equidade social;
- Soro de Hidratação Pública: a instalação de bebedouros gratuitos é a profilaxia básica contra desidratação e insolação em eventos de massa, garantindo a segurança dos visitantes.
O Prognóstico
A injeção econômica projetada para 2026 é oxigenação pura. Contudo, o local não pode ter 'arritmia', funcionando apenas em shows pontuais; ele precisa de metabolismo basal constante - feiras, congressos e exposições científicas.
A cautela das entidades civis funciona como o sistema imunológico da cidade, garantindo que o 'marcapasso' (a concessionária) seja bem ajustado. Manter o Centro de Eventos sob gestão exclusivamente pública é insistir em um tratamento que já faliu. A concessão é a cirurgia necessária para tirar o paciente da UTI e levá-lo para a fisioterapia intensiva do mercado, transformando-o em um símbolo de orgulho e desenvolvimento sustentável para Ponta Grossa".
CONSELHO DA COMUNIDADE
Composto por lideranças representativas da sociedade, não ocupantes de cargo eletivo, totalizando 14 membros, a iniciativa tem o objetivo de debater, discutir e opinar sobre pautas e temas de relevância local e regional, que impactam na vida dos cidadãos, levantados semanalmente pelo Portal aRede e pelo Jornal da Manhã, com a divulgação em formato de vídeo e/ou artigo.
Conheça mais detalhes dos membros do 'Conselho da Comunidade' acessando outras notícias sobre o projeto.
LEIA ABAIXO UM RESUMO DO ARTIGO
- Diagnóstico de 'Atrofia' Gerencial: utilizando uma analogia médica, o conselheiro descreve o Centro de Eventos como um "órgão vital em estado de falência funcional". Para ele, a gestão pública atual sofre de uma "hemorragia crônica" de recursos, onde milhões são gastos em reformas paliativas que não resolvem o problema base, drenando verbas que seriam cruciais para a saúde básica do município;
- Concessão como 'Transplante' Econômico: Montemor defende que a passagem do espaço para a iniciativa privada por 20 anos não é uma "amputação" (venda), mas um transplante de gestão necessário para oxigenar a economia local. O objetivo é transformar o local, hoje em "coma induzido" pela subutilização, em um motor que impulsione o setor hoteleiro e gastronômico através de feiras, congressos e exposições;
- As 'Vacinas' do Edital: o médico propõe cinco exigências técnicas indispensáveis para o contrato de concessão: a cessão do espaço em casos de calamidade pública (como hospitais de campanha), a manutenção de um módulo médico fixo, planos rigorosos de saneamento, a criação de "Quiet Zones" para o acolhimento de neurodivergentes e a instalação de bebedouros gratuitos para prevenir a desidratação do público.




















