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Senado aprova acordo entre Mercosul e União Europeia

Aprovação finaliza etapa de análise do tratado no Legislativo brasileiro; texto seguirá para o processo de ratificação do Poder Executivo

Relatora, Tereza Cristina disse que foram necessárias concessões, mas que acordo trará benefícios concretos
Relatora, Tereza Cristina disse que foram necessárias concessões, mas que acordo trará benefícios concretos -

Publicado por Iolanda Lima

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O Senado aprovou, nesta quarta-feira (25), o acordo de livre comércio firmado entre o Mercosul e a União Europeia. Com a aprovação, o Legislativo brasileiro finaliza a etapa de análise do tratado e o texto segue para a ratificação do Executivo.

Antes, a proposta foi aprovada na semana passada pelo plenário da Câmara dos Deputados e pela representação brasileira no Parlamento do Mercosul (Parlasul).

Inicialmente, o projeto de decreto legislativo que aprova o conteúdo do acordo seria analisado pela Comissão de Relações Exteriores, mas a reunião prevista para esta quarta-feira foi cancelada e o texto seguiu diretamente ao plenário.

A intenção, segundo o presidente da CRE, senador Nelsinho Trad (PSD-MS), foi dar mais celeridade à análise da proposta.

No plenário do Senado, o texto teve a relatoria da senadora Tereza Cristina (PP-MS). O texto negociado pelo Executivo não pode ser alterado pelo Congresso, mas cabe ao Legislativo aprovar ou rejeitar o conteúdo.

Em seu parecer, a senadora destacou que o acordo estabelece uma das maiores zonas de livre comércio do mundo, além de marcar a transição para uma nova dinâmica internacional com "novas cadeias de valor, parcerias estratégicas e iniciativas conjuntas voltadas a desafios comuns, como a transição energética e digital".

Tereza Cristina declarou que acordos perfeitos não existem e que "negociar implica concessões recíprocas". Segundo ela, mesmo que cautelas sejam adotadas, "sempre haverá setores potencialmente afetados". Na visão dela, no entanto, interesses específicos não podem comprometer o "equilíbrio cuidadosamente construído".

No plenário, Tereza Cristina também ressaltou a criação de um mecanismo de salvaguardas negociado com o Executivo. O governo publicou nesta tarde decreto regulamentador dos procedimentos para eventual aplicação de salvaguardas bilaterais no âmbito dos acordos comerciais de que o Brasil seja parte.

"A aprovação do acordo não deve encerrar a atuação parlamentar. Inaugura uma etapa de vigilância construtiva, de diálogo constante com o setor produtivo e com a sociedade civil, e de coordenação firme com o Poder Executivo", declarou.

Sobre o aval do Congresso ao tratado, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), afirmou que o momento tem um "significado histórico". Para ele, o acordo tem uma importância estratégica para o Brasil em um "momento delicado para as relações internacionais".

O projeto de decreto legislativo aprovado nesta quarta, que autoriza o Poder Executivo a ratificar o texto, será promulgado pelo Congresso. A partir de então, o Executivo pode iniciar o processo de ratificação.

Assinatura do acordo

O acordo foi assinado em Assunção, Paraguai, no início deste ano, após mais de 25 anos de negociações entre os dois blocos. O acordo precisa ser aprovado por maioria simples no Parlamento Europeu e ratificado pelos parlamentos nacionais de cada país do Mercosul.

Na semana passada, Uruguai e Argentina ratificaram no Legislativo o acordo. O Senado do Paraguai também aprovou o tratado nesta tarde e ainda deve votar o texto na Câmara dos Deputados.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula Von der Leyen, anunciou que a União Europeia deve colocar o acordo em vigor, de forma provisória, após os primeiros integrantes do Mercosul realizarem as ratificações. A expectativa do governo é que o acordo comece a ser implementado em maio.


Com informações da CNN Brasil 

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