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Planeta dos macacos? Primeira ‘guerra civil’ entre chimpanzés é detectada

O conflito resultou em dezenas de mortes entre indivíduos de diferentes idades e sexos; entenda

A partir de 2017, os dois subgrupos já viviam em territórios diferentes e passaram a matar animais dos grupos rivais
A partir de 2017, os dois subgrupos já viviam em territórios diferentes e passaram a matar animais dos grupos rivais -

Publicado por Lucas Veloso

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Cientistas identificaram pela primeira vez o equivalente a uma ‘guerra civil’ entre chimpanzés-comuns (Pan troglodytes), os parentes vivos mais próximos dos seres humanos. O conflito, registrado ao longo de cerca de uma década, resultou em dezenas de mortes entre indivíduos de diferentes idades e sexos.

O estudo foi publicado na revista científica Science e analisou o comportamento de chimpanzés em uma comunidade monitorada desde 1995 - as informações são de Banda B, parceira do Portal aRede.

Os pesquisadores, liderados por Aaron Sandel, acompanham os animais na comunidade de Ngogo, localizada no Parque Nacional de Kibale. No início do monitoramento, o grupo se tornou o maior já registrado da espécie, chegando a quase 200 indivíduos.

QUANDO COMEÇOU A GUERRA CIVIL ENTRE OS CHIMPANZÉS?

Com o tempo, a divisão ficou mais evidente. Os cientistas descrevem esse processo como uma “polarização”: os chimpanzés começaram a permanecer apenas com seus próprios subgrupos e reduzir o contato com os antigos companheiros.

ANIMAIS SE COMPORTAVAM COMO "GANGUES" PARA IR ATÉ O TERRITÓRIO RIVAL

A partir de 2017, os dois grupos já utilizavam áreas praticamente separadas da floresta. Além disso, começaram a ocorrer patrulhas territoriais, quando machos adultos se reúnem e vão para as fronteiras do território, tentando surpreender os rivais. Ou seja, cada subgrupo já estava tratando o outro como pertencente a um bando diferente.

Entre 2018 e 2024, ao menos sete machos adultos do grupo central foram mortos em ataques realizados pelo grupo rival. Além disso, foram registrados 14 casos de infanticídio desde 2021.

Durante anos, os chimpanzés se subdividiam em grupos menores para atividades como busca por alimento, reprodução, cuidado com os filhotes e interações sociais. Havia alianças entre machos, que geralmente se reuniam em trios, e pequenos grupos de parceiros que cooperavam entre si.

Segundo os pesquisadores, no entanto, os problemas começaram a surgir em 24 de junho de 2015. Nessa data, membros de dois subgrupos, designados como “central” e “ocidental” (com base nas áreas do território que costumavam ocupar), estavam se aproximando uns dos outros.

Nesse momento, parte dos chimpanzés do grupo ocidental recuou rapidamente, enquanto os membros do grupo central iniciaram uma perseguição. Depois do episódio, os animais passaram semanas evitando contato direto.

Os pesquisadores também identificaram outras mortes cuja causa não pôde ser confirmada, o que indica que o número de vítimas pode ser ainda maior.

As taxas de violência letal na guerra civil são bem mais altas do que as registradas em conflitos semelhantes entre grupos de chimpanzés ou mesmo entre sociedades humanas de pequena escala, como a maioria dos caçadores-coletores.

O QUE PODE EXPLICAR O CONFLITO?

Os cientistas ainda não têm certeza sobre o motivo exato da divisão dentro do grupo. Uma das hipóteses é que o tamanho excepcional da comunidade tenha aumentado a competição por recursos, favorecendo a formação de alianças mais fechadas.

Outra possibilidade envolve uma epidemia respiratória registrada em 2017, que matou 25 chimpanzés, incluindo vários adultos experientes. Segundo os pesquisadores, a perda desses indivíduos pode ter enfraquecido as relações sociais do grupo e aberto espaço para lideranças mais agressivas.

O caso ajuda os cientistas a entender melhor como conflitos violentos podem surgir também em sociedades animais complexas, e como alguns desses padrões podem ter paralelos com o comportamento humano.

CONFIRA UM RESUMO DA NOTÍCIA:

- Cientistas registraram pela primeira vez uma espécie de “guerra civil” entre chimpanzés-comuns (Pan troglodytes), com dezenas de mortes ao longo de quase uma década.

- O conflito ocorreu na comunidade de Ngogo, em Uganda, marcada por divisão em subgrupos rivais, patrulhas territoriais e ataques letais.

- Pesquisadores apontam como possíveis causas o grande tamanho do grupo e disputas por recursos, além de impactos de uma epidemia que pode ter desestabilizado as relações sociais.

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