Papa nomeia Carlos Nobre como conselheiro do Vaticano
Pesquisador brasileiro integrará departamento que busca cuidar do desenvolvimento humano integral

O Papa Leão XIV nomeou, em um comunicado oficial à imprensa nesta segunda-feira (30), o pesquisador brasileiro Carlos Afonso Nobre como um dos membros do Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral do Vaticano.
Além dele, outros doze nomes também foram escolhidos para integrar o grupo que busca discutir e promover a dignidade dos cidadãos em questões relacionadas a emergências humanitárias.
Quem é Carlos Nobre?
Integrante do Instituto de Estudos Avançados da USP (Universidade de São Paulo) até 2024, Nobre é formado em engenharia eletrônica pelo ITA (Instituto Tecnológico da Aeronáutica), porém passou a vida estudando assuntos relacionados ao meio-ambiente, principalmente física do ambiente. As informações são da CNN Brasil.
Após se formar, em 1975, ele ingressou no INPA (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia), onde iniciou sua pesquisa científica pela Amazônia. Estendeu o interesse para um doutorado em Meteorologia no MIT (Massachusetts Institute of Technology), nos Estados Unidos, e fundamentou os estudos em geociência e tecnologia.
Quando retornou ao Brasil, em 1983, integrou o INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) e realizou experimentos científicos observacionais na Amazônia durante mais de dez anos.
Nobre também liderou pesquisas sobre o funcionamento dos ecossistemas amazônicos em razão das mudanças climáticas causadas pelo uso do solo e acompanhou o desenvolvimento do CPTEC (Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos), um marco tecnológico para a meteorologia nacional.
Além disso, leciona na pós-graduação em meteorologia do INPE e atualmente é membro da ABC (Academia Brasileira de Ciências) e TWAS, na sigla em inglês, (Academia Mundial de Ciências).
O pesquisador já recebeu prêmios pela Fundação Conrado Wessel, na área de Meio Ambiente, pela Von Humboldt Medal da European Geophysical Union, condecoração da Classe Grã-Cruz da Ordem Nacional do Mérito Científico da Presidência da República, pelo “Prêmio a la Cooperación em Ciencia, Tecnologia y Innovación Dr. Luis Frederico Leloir”, do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação Produtiva da Argentina e pelo Volvo Environmental Prize, na Suécia.
O Dicastério foi criado em agosto de 2016 após a fusão de quatro Pontifícios Conselhos do Vaticano a pedido do Papa Francisco. São eles, o da Justiça e Paz, para a Pastoral dos Migrantes e Itinerantes, Cor Unum (para os necessitados e carentes) e para os Agentes de Saúde para a Pastoral da Saúde.
O objetivo é criar pequenas comissões para discutir e resolver assuntos pontuais e urgentes que interfiram nos direitos de cada cidadão. Desde sua criação, os conselheiros possuem a função de apoiar e acompanhar pessoas que estão fragilizadas nos âmbitos dos direitos humanos, da saúde e do cuidado.
Durante cinco anos, o conselho auxiliou pessoas que foram obrigadas a abandonar a pátria ou proibidas de pertencer a ela, como migrantes, refugiados e vítimas do tráfico de pessoas.
Na pandemia de Covid-19, houve a criação a Comissão Vaticana Covid-19, que atuou durante três anos na análise dos desafios socioeconômicos e culturais presentes naquela época. A Igreja se organizou com comunidades locais e globais, além de especialistas acadêmicos para compreender o que poderia ser feito para prestar apoio para todos durante a quarentena.
Tanto a sociedade civil, quanto organismos internacionais podem ser contribuintes do dicastério e atuar conjuntamente à Igreja para ajudar na promoção da dignidade humana.




















