Semáforos inteligentes não são sinônimo de um trânsito melhor | aRede
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Semáforos inteligentes não são sinônimo de um trânsito melhor

Conselheiro, arquiteto lembra que inteligência urbana passa por diversos setores para, de fato, trazer mudanças profundas no trânsito ponta-grossense

Henrique Zulian é conselheiro na área de Urbanismo
Henrique Zulian é conselheiro na área de Urbanismo -

Rodolpho Bowens

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O conselheiro da área de Urbanismo do Grupo aRede, Henrique Wosiack Zulian, acredita que um trânsito eficaz vai muito além de radares e/ou semáforos inteligentes - o debate é referente a uma reportagem especial do Portal aRede.

Para ele, o trânsito de Ponta Grossa não deve ser necessariamente mais rápido, mas, sim, melhor para todos. Por fim, ele lembra a importância de se investir em outros modais de circulação, como caminhada, bicicleta e/ou transporte público de qualidade.

Confira abaixo a opinião na íntegra de Henrique, graduado em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), pós-graduado pela Escola da Cidade e mestre na área de Projeto Arquitetônico pela Universidade de São Paulo (FAU-USP). Ele também tem dezesseis premiações em concursos de arquitetura pelo Brasil, inclusive em Ponta Grossa:

"A partir dos dados apresentados pela Prefeitura Municipal de Ponta Grossa (PMPG), é possível fazer uma leitura que vai além do aumento de multas ou da ampliação da fiscalização. O que está em jogo, na verdade, é o modelo de cidade que estamos construindo.

O fato de as regiões centrais e Uvaranas concentrarem mais infrações não é uma surpresa, são justamente os locais com maior intensidade de fluxos. Isso ainda revela um ponto importante: quanto mais pessoas e mais veículos disputam o mesmo espaço, maior tende a ser o conflito. E a resposta para isso não pode ser apenas punir ou monitorar, ela precisa ser urbanística.

Uma cidade que se propõe a ser 'inteligente' não é apenas aquela que instala radares, câmeras ou semáforos com inteligência artificial. Isso é ferramenta. Inteligência urbana, de fato, está na forma como o espaço é desenhado para induzir comportamentos mais seguros e humanos.

Nesse sentido, existe um conceito já bastante consolidado: o de que um trânsito mais lento pode, paradoxalmente, ser mais fluido. Quando reduzimos velocidades, organizamos melhor os fluxos, diminuímos acidentes e tornamos o sistema mais previsível. Isso melhora a circulação como um todo.

Além disso, uma cidade inteligente prioriza o pedestre. A campanha 'Pé na Faixa' é positiva, mas ela precisa vir acompanhada de um redesenho das vias: calçadas mais qualificadas, travessias mais curtas, esquinas mais seguras, arborização que convide ao caminhar. O comportamento não muda só com educação, ele muda quando o ambiente urbano facilita a escolha correta.

Outro ponto fundamental é a diversificação dos modais. Uma cidade com 0,63 veículos por habitante não resolve seu trânsito apenas organizando carros. É preciso criar condições reais para que as pessoas optem por caminhar, pedalar ou utilizar transporte coletivo de qualidade. Isso reduz a pressão sobre o sistema viário e melhora a convivência.

Portanto, o aumento da fiscalização e o uso de tecnologia são importantes, mas são apenas parte da equação. Se Ponta Grossa quer, de fato, consolidar o título de cidade inteligente, o próximo passo é avançar no desenho urbano: menos foco na fluidez dos carros e mais foco na qualidade do espaço público e na experiência das pessoas. O trânsito não deve servir para ser mais rápido para alguns, deve funcionar melhor para todos".

Conselho da Comunidade

Composto por lideranças representativas da sociedade, não ocupantes de cargo eletivo, totalizando 14 membros, a iniciativa tem o objetivo de debater, discutir e opinar sobre pautas e temas de relevância local e regional, que impactam na vida dos cidadãos, levantados semanalmente pelo Portal aRede e pelo Jornal da Manhã, com a divulgação em formato de vídeo e/ou artigo.

Conheça mais detalhes dos membros do 'Conselho da Comunidade' acessando outras notícias sobre o projeto.

Leia abaixo um resumo do artigo

- Inteligência Urbana além da Tecnologia: para o conselheiro, uma 'cidade inteligente' não é apenas aquela repleta de radares e semáforos com IA. A verdadeira inteligência está no desenho urbano que induz comportamentos seguros. A tecnologia é apenas uma ferramenta; a solução real passa por projetar espaços que priorizem o ser humano, e não apenas a punição;

- Fluidez vs. Velocidade: o artigo quebra o mito de que o trânsito precisa ser 'rápido' para ser bom. Henrique argumenta que reduzir a velocidade pode, na verdade, tornar o fluxo mais previsível e fluido, diminuindo conflitos em áreas densas como o Centro e Uvaranas. O foco deve sair da 'rapidez para alguns' e passar para a 'qualidade para todos', especialmente para o pedestre;

- Diversificação de Modais: com uma frota alta (0,63 veículos por habitante), Ponta Grossa não resolve seus problemas apenas organizando carros. É fundamental investir em outras formas de circular, como calçadas qualificadas, ciclovias e transporte coletivo de alta qualidade. Isso reduz a pressão nas vias e melhora a convivência urbana de forma sustentável.

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