Área de plantio de feijão em Guarapuava deve cair quase 50% nesta safra
Levantamento do Deral aponta que baixo preço pago ao produtor em 2025 desmotivou o setor; preço baixo nas gôndolas reflete queima de estoque velho no varejo

O cenário para o feijão-preto na região de Guarapuava é de incerteza e retração. De acordo com dados do Departamento de Economia Rural (Deral), a intenção de plantio para a segunda safra deste ano projeta uma queda drástica: de 36 mil hectares cultivados no ano passado para apenas 19 mil hectares em 2026, uma redução de 47% na área.
Em entrevista ao Portal RSN, o técnico do Deral, Dirlei Antonio Manfio, explicou que o desânimo do produtor decorre do longo período de preços baixos. Entre outubro e dezembro de 2025, o valor pago pela saca de 60 quilos estagnou na casa dos R$ 120, valor que não cobria os custos de produção. “Não tava fechando a conta. Era prejuízo.”
DIVERGÊNCIA ENTRE CAMPO E PRATELEIRA
Em um supermercado da cidade é possível encontrar o feijão-preto à venda por R$ 2,60 o quilo. Segundo Manfio, trata-se de uma ‘distorção de mercado’. O técnico afirma que esse valor baixo nas gôndolas reflete o escoamento de estoques antigos, adquiridos pelo varejo quando o preço da saca estava no piso.
REAÇÃO RECENTE
Nas últimas duas semanas de janeiro, o mercado deu sinais de reação. O preço pago ao produtor pela saca do feijão novo saltou de R$ 120 para até R$ 170. No entanto, essa valorização pode ter chegado tarde demais para muitos agricultores.
Logo após o período crítico de desvalorização, muitos produtores migraram para culturas mais estáveis, como soja e milho. Além disso, em municípios como Prudentópolis, o risco climático e o histórico de pragas, como a mosca-branca, aumentam a insegurança de quem planta.
PERSPECTIVAS
Embora o preço tenha subido em janeiro, Manfio ressalta que o prazo para o plantio ideal termina em fevereiro. Dessa forma, o produtor tecnificado, que depende de financiamentos e contratos antecipados de sementes e insumos, dificilmente conseguirá reverter a decisão de reduzir a área em cima da hora. Contudo, produtores que trabalham com recursos próprios ainda têm uma janela de 20 dias para decidir se aproveitam a alta do mercado.
LEIA ABAIXO UM RESUMO DA NOTÍCIA
- Redução drástica na área de plantio: A intenção de cultivo de feijão-preto na região de Guarapuava para a segunda safra de 2026 caiu 47%, passando de 36 mil para apenas 19 mil hectares.
- Crise de preços e migração de culturas: O desânimo dos produtores foi causado por um longo período de preços baixos (R$ 120 a saca), que não cobriam os custos de produção. Isso levou muitos agricultores a abandonarem o feijão em favor de culturas mais estáveis, como soja e milho.
- Reação tardia do mercado: Apesar de o preço ter subido para R$ 170 em janeiro, a valorização chegou no fim da janela de plantio. Para a maioria dos produtores tecnificados, a mudança de planos é difícil devido ao curto prazo e aos riscos climáticos e de pragas.
Com informações: Portal RSN.




















