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Produtores de leite do Sul se organizam diante de crise no setor

A situação é agravada principalmente por causa da entrada expressiva de leite em pó oriundo da Argentina e do Uruguai

Em 2025, o preço pago ao produtor registrou queda de 25,8%, segundo levantamento do Cepea
Em 2025, o preço pago ao produtor registrou queda de 25,8%, segundo levantamento do Cepea -

Publicado por Iolanda Lima

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Custos de produção elevados, remuneração insuficiente e aumento das importações. Esses são apenas alguns dos fatores que acompanham a produção de leite no Brasil e têm feito muitos produtores abandonarem a atividade. Diante disso, entidades representativas do setor em todo o país estão se mobilizando para enfrentar esse cenário.

Segundo a Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Rio Grande do Sul (Fetag-RS), a situação é agravada principalmente por causa da entrada expressiva de leite em pó oriundo da Argentina e do Uruguai. Em nota divulgada nesta terça-feira (10), a entidade aponta que há uma “desregulação de mercado”, com impactos severos no campo.

O clamor, entretanto, não se restringe somente aos gaúchos. No Paraná, produtores de diversas regiões do estado criaram, durante o 38º Show Rural Coopavel, em Cascavel, uma associação para enfrentar a crise vivida no setor. Na ocasião, os pecuaristas citaram “discrepâncias na cadeia”, em que “alguns ganham margens elevadas enquanto o produtor amarga incertezas”.

Importações e desequilíbrios de mercado

Dados da balança comercial mostram que as compras de leite em pó totalizaram o equivalente a 2,1 bilhões de litros em 2025, queda de 5,2% em relação ao ano anterior. Apesar do recuo frente ao recorde atingido em 2024, os níveis se mantiveram elevados, pressionando os preços e, consequentemente, as margens da pecuária leiteira.

De acordo com a Fetag-RS, o cenário se traduz no aumento do abate de vacas leiteiras, redução de investimentos, endividamento crescente e abandono da atividade. Minas Gerais, Paraná e Santa Catarina estão entre os estados que já adotaram medidas contra o aumento expressivo das importações.

Para a nova associação criada durante o Show Rural Coopavel 2026, intitulada União Paranaense de Produtores de Leite, é preciso “agir rápido”. O líder do movimento, Meysson Vetorello, espera que a busca por soluções seja feita de forma organizada e que os interesses da categoria sejam ouvidos.

Sobre os preços baixos praticados no mercado, tanto a Fetag-RS quanto a nova entidade destacam que os produtores não aguentam mais produzir tão abaixo do custo. Conforme a entidade gaúcha, o valor do leite está entre R$ 1,60 e R$ 1,80 por litro. No âmbito paranaense, Vetorello afirma que o produtor está “pagando para trabalhar”.

Em 2025, o preço pago ao produtor registrou queda de 25,8%, segundo levantamento do Cepea. Foram nove meses seguidos de baixa, com a Média Brasil fechando o ano em R$ 1,99 por litro.


Com informações do Canal Rural 

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