Produção de tomate bate recorde, mas clima desafia produção em 2026
Em 2025, o Brasil colhe quase 5 milhões de toneladas, mas está de olho no clima que já afeta os preços do tomate nos supermercados

A produção brasileira de tomate atingiu um novo patamar em 2025, consolidando o país entre os maiores produtores globais da hortaliça/fruto, mas para 2026, o desafio deve ser o clima. De acordo com o balanço do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), ano passado o país colheu 4,7 milhões de toneladas, um recorde histórico e uma alta de 27% em relação a 2022.
O recorde anterior foi registrada em 2011, quando 4,4 milhões de toneladas foram colhidas. Apesar do desempenho robusto, o setor entra em 2026 sob pressão climática e de custos, o que pode limitar a oferta e manter os preços elevados, conforme alerta o boletim da multinacional portuguesa Ascenza. No Brasil, a organização atua com defensivos agrícolas e patentes para cultivares de tomate.
O avanço se deu principalmente pelo melhor manejo no campo, com irrigação e melhoramento genético. As tecnologias promoveram maior produtividade por hectare, destacou a empresa. A área plantada passou de 52,3 mil hectares em 2022 para 63,3 mil hectares em 2025 — crescimento de 21%. Já a produtividade média subiu de 71 para 74 toneladas por hectare no período.
Mas, o início deste ano já trouxe condições meteorológicas desfavoráveis para a cultura. Chuvas frequentes combinadas com temperaturas elevadas aumentaram a incidência de doenças fúngicas e bacterianas, o que tem provocado manchas nos frutos e maior descarte nas lavouras.
Segundo Hugo Centurion, head da Ascenza Brasil, o cenário exige intensificação das estratégias de manejo. “O monitoramento constante da lavoura, programas integrados de proteção, rotação de ativos e uso correto de defensivos registrados são essenciais para reduzir perdas e preservar a sanidade das plantas”, afirmou em nota.
Ele destaca ainda que práticas como irrigação adequada, ventilação do dossel e uso de variedades mais resistentes — incluindo plantas enxertadas — ajudam a sustentar a produtividade mesmo em condições adversas.
Hoje, o Brasil está entre os dez maiores produtores globais de tomate, oscilando entre o 5º e 9º lugar do ranking, dependendo da safra. Atualmente, a China lidera a produção com folga, seguida por Índia, Turquia, Estados Unidos e países da União Europeia.
Dados da consultoria Mordor Intelligence apontam que o mercado global de tomate movimentou US$ 217 bilhões em 2025 e pode alcançar US$ 273,8 bilhões até 2030, com crescimento médio anual de 4,76%.
OFERTA LIMITADA, TOMATE MAIS CARO
A menor disponibilidade de frutos de qualidade já começa a impactar o mercado atacadista. Levantamento do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da Universidade de São Paulo) mostra estabilidade recente nos preços em São Paulo e Belo Horizonte, mas altas expressivas em outras regiões.
No Rio de Janeiro, o tomate longa vida registrou valorização de 34% no início de fevereiro, com a caixa chegando a R$ 134,12. Em Campinas, a alta foi de 11%. Para efeito de comparação, o maior preço observado em fevereiro de 2025 foi de R$ 109,75.
A pressão altista pode persistir ao longo do ano. Projeção do FGV Ibre indica que o tomate deve acumular aumento próximo de 7% em 2026, impulsionado pela oferta restrita e pelos custos elevados de produção.
A produção nacional está concentrada principalmente em quatro estados: Goiás, São Paulo, Minas Gerais e Paraná. O cultivo é dividido em dois grandes segmentos de tomate de mesa (in natura) — cerca de 60% da produção - e tomate industrial — destinado a molhos, extratos e derivados.
LEIA ABAIXO UM RESUMO DA NOTÍCIA
- Recorde Histórico e Produtividade: Em 2025, o Brasil atingiu a colheita recorde de 4,7 milhões de toneladas de tomate, um crescimento de 27% em relação a 2022. O avanço foi impulsionado pelo aumento da área plantada e pelo uso de tecnologias como irrigação, melhoramento genético e plantas enxertadas, colocando o país no "Top 10" da produção mundial.
- Desafio Climático e Fitossanitário: Para 2026, o cenário é de alerta. O excesso de chuvas e as altas temperaturas no início do ano favoreceram o surgimento de doenças fúngicas e bacterianas. Isso tem gerado descarte de frutos e exige dos produtores um manejo mais rigoroso e o uso intensivo de defensivos para reduzir perdas nas lavouras.
- Preços em Elevação: A oferta limitada de frutos de qualidade já impacta o bolso do consumidor. No Rio de Janeiro, a valorização chegou a 34% em fevereiro, com a caixa atingindo R$ 134,12. A projeção é que o tomate acumule uma alta de 7% ao longo de 2026, refletindo os custos de produção elevados e a menor disponibilidade no mercado.
Com informações: CNN Brasil.





















