Campos Gerais pode desenvolver 'Eixo Ferroviário' e conectar cidades da região
Conselheiro, arquiteto e urbanista acredita que investimentos somente em rodovias não garantem qualidade urbana

O conselheiro da área de Urbanismo do Grupo aRede, Henrique Wosiack Zulian, explica que a região dos Campos Gerais vem se tornando estratégica para o Paraná. Entretanto, ele alerta que o desenvolvimento logístico não se resume somente às estradas que estão sendo ampliadas - o debate é referente a uma reportagem especial do Portal aRede.
Para ele, a região também poderia investir num projeto de eixo ferroviário - já que as cidades são próximas, conectando os municípios não somente com o transporte de cargas, mas também de passageiros. Com isso, diminuindo o fluxo pesado das rodovias e ampliando a mobilidade urbana dos trabalhadores.
Confira abaixo a opinião na íntegra de Henrique, graduado em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), pós-graduado pela Escola da Cidade e mestre na área de Projeto Arquitetônico pela Universidade de São Paulo (FAU-USP). Ele também tem dezesseis premiações em concursos de arquitetura pelo Brasil, inclusive em Ponta Grossa:
"A reportagem desta semana mostra como os Campos Gerais vêm se consolidando como uma das regiões mais estratégicas do Paraná. Obras na PR-151, duplicações na BR-277, melhorias na BR-376 e novos distritos industriais, sendo que tudo aponta para um fortalecimento logístico importante.
Mas aqui vale uma reflexão urbanística: desenvolvimento logístico não é só estrada. A região de Ponta Grossa é historicamente um entroncamento estratégico, conectando o interior ao Porto de Paranaguá. O investimento rodoviário melhora o escoamento da produção, reduz gargalos e atrai indústrias. Isso é positivo.
O problema é quando todo o planejamento regional fica concentrado no caminhão para carga e no carro para as pessoas.
Os Campos Gerais têm uma característica rara no Brasil: distâncias médias entre cidades, base agroindustrial forte e presença de malha ferroviária já existente. Isso abre uma oportunidade estratégica para discutir transporte ferroviário regional, tanto de cargas quanto de passageiros.
Imagine um eixo ferroviário conectando cidades como Castro, Carambeí, Irati e Ponta Grossa e daí para Curitiba, região metropolitana e Paranaguá. Isso reduziria custos logísticos, diminuiria o fluxo pesado nas rodovias e permitiria mobilidade intermunicipal mais eficiente para trabalhadores.
Hoje, ao priorizar apenas rodovias, corre-se o risco de estimular expansão urbana dispersa, distritos industriais isolados e maior dependência de infraestrutura cara e espalhada. Além disso, energia e saneamento, com investimentos da Companhia Paranaense de Energia (Copel) e da Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar), são fundamentais e devem ser idealmente densificados, a fim de uma melhor eficiência e manutenção.
Os Campos Gerais já são fortes economicamente. O próximo passo é dar um salto de qualidade urbana, incorporando intermodalidade, ferrovia e planejamento territorial de longo prazo".
CONSELHO DA COMUNIDADE
Composto por lideranças representativas da sociedade, não ocupantes de cargo eletivo, totalizando 14 membros, a iniciativa tem o objetivo de debater, discutir e opinar sobre pautas e temas de relevância local e regional, que impactam na vida dos cidadãos, levantados semanalmente pelo Portal aRede e pelo Jornal da Manhã, com a divulgação em formato de vídeo e/ou artigo.
Conheça mais detalhes dos membros do 'Conselho da Comunidade' acessando outras notícias sobre o projeto.
LEIA ABAIXO UM RESUMO DO ARTIGO
- Crítica ao 'Rodoviarismo' Exclusivo: Henrique Zulian argumenta que, embora as obras em rodovias como a BR-277 e BR-376 sejam essenciais para o escoamento da produção, o planejamento dos Campos Gerais não pode se limitar ao transporte por caminhões e carros. Para o urbanista, focar apenas no asfalto estimula uma expansão urbana dispersa e gera dependência de infraestruturas caras e isoladas;
- Proposta de Eixo Ferroviário Regional: o conselheiro defende o aproveitamento da malha ferroviária já existente para criar um sistema que conecte cidades próximas, como Castro, Carambeí, Irati e Ponta Grossa. Esse modelo intermodal atenderia tanto ao transporte de cargas quanto ao de passageiros, desafogando as rodovias e garantindo mobilidade eficiente para os trabalhadores entre os municípios;
- Eficiência e Planejamento Territorial: Zulian enfatiza que o desenvolvimento regional deve incluir a densificação de serviços como energia e saneamento para garantir maior eficiência e menor custo de manutenção. Ele defende que o próximo passo para os Campos Gerais é um salto na qualidade urbana, consolidando a intermodalidade e o planejamento territorial de longo prazo.
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- Crescimento econômico dos Campos Gerais pode estar alinhado à sustentabilidade.





















