Ex-funcionário diz que Careca do INSS citava Lulinha em negociações com parceiros
Testemunha-chave da PF afirma que lobista usava suposta proximidade com o filho do presidente Lula ao tratar de negócios, conforme informações do Portal Metrópoles

Um ex-funcionário do lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, afirmou que o empresário costumava mencionar Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, durante reuniões com fornecedores e parceiros comerciais. O relato foi feito à coluna do Portal Metrópoles e integra as investigações da Operação Sem Desconto, que apura o esquema conhecido como Farra do INSS.
Segundo a testemunha, considerada peça-chave pela Polícia Federal, o lobista citava abertamente o nome do filho do presidente da República como forma de demonstrar influência. “Antonio falava abertamente sobre o filho do rapaz!!! Fábio Lula da Silva. Falava ‘filho’, e sinalizava mostrando a mão com 4 dedos… Falou o nome de Fábio Lula diversas vezes, a mim, a alguns parceiros comerciais, em reunião de diretoria”, declarou.
Esta é a primeira entrevista concedida pelo ex-funcionário à imprensa. A coluna esteve com a testemunha na última semana, e o nome dela foi preservado devido a supostas ameaças feitas pelo lobista em meados de junho de 2025. Além da conversa presencial, todas as respostas foram encaminhadas por escrito, com o documento reproduzido na íntegra ao final da reportagem original do Metrópoles.
Ainda conforme o relato, o ex-funcionário confirmou à Polícia Federal informações sobre uma suposta mesada paga pelo Careca do INSS a Lulinha. “Antonio me disse que ele pagava uma mesada de 300 mil e que antecipou 25 milhões (não foi falado em que moeda) em função do Projeto Amazônia e Projeto Teste de Dengue. Antônio comentou que algumas vezes o encontrava em SP e DF”, escreveu.
De acordo com as investigações, Lulinha é citado como possível sócio oculto do lobista em negócios na área da saúde que envolveriam o governo federal. Uma das parcerias previa o fornecimento de cannabis em larga escala ao Ministério da Saúde.
Mensagens obtidas pela Polícia Federal mostram que o Careca do INSS transferiu R$ 1,5 milhão para Roberta Luchsinger, amiga de Lulinha e alvo da fase mais recente da Operação Sem Desconto. Em uma das conversas, o lobista afirmou que o dinheiro seria destinado a “o filho do rapaz”, em possível referência a Lulinha.
A Polícia Federal aponta Roberta como integrante do núcleo político do Careca do INSS. Mesmo após a deflagração da primeira fase da operação, em abril de 2025, ela manteve contato com o lobista. Em mensagens apreendidas, Roberta alertou Antunes sobre a apreensão de um envelope “com nome do nosso amigo” e demonstrou preocupação com a repercussão do vínculo.
Conforme revelou o Portal Metrópoles, novas mensagens indicam que, em dezembro de 2024, o Careca do INSS mandou entregar um “medicamento” no apartamento onde Lulinha residia em São Paulo. A encomenda foi endereçada a Renata Moreira, esposa de Fábio Luís. Procurado à época, Lulinha afirmou desconhecer o assunto e negou qualquer relação de proximidade com o lobista.
A coluna Andreza Matais, do Metrópoles, também revelou que Lulinha e o Careca do INSS viajaram juntos em voo de primeira classe de Guarulhos para Lisboa, no dia 8 de novembro de 2024.
Lobby no Ministério da Saúde entrou no radar das investigações
Conforme o jornal, Roberta Luchsinger atuou em ações de lobby no Ministério da Saúde ao lado do Careca do INSS. A parceria foi citada pela Polícia Federal ao solicitar medidas contra a empresária.
Registros obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI) mostram que o lobista esteve cinco vezes no ministério. Em 2024, apresentou-se três vezes como diretor de uma empresa de telemedicina, sendo acompanhado por Roberta em uma das visitas. Já em 2025, entrou duas vezes como presidente da World Cannabis, empresa ligada à comercialização de maconha medicinal.
Em nota divulgada anteriormente, a defesa de Roberta Luchsinger afirmou que ela foi procurada por Antunes para atuar no mercado de canabidiol, mas que as tratativas não avançaram. A empresária também negou qualquer envolvimento na fraude do INSS.
LEIA O RESUMO DA MATÉRIA ABAIXO:
- Ex-funcionário afirma que Careca do INSS citava Lulinha para demonstrar influência em negociações comerciais
- Testemunha relata suposta mesada e transferências milionárias ligadas ao filho do presidente
- Polícia Federal aponta atuação de amiga de Lulinha em lobby no Ministério da Saúde ao lado do lobista




















