Importantes projetos preparam Ponta Grossa para o futuro
Planejamento estratégico articula mobilidade e sustentabilidade com projetos que redesenham o crescimento da cidade a longo prazo
Publicado: 03/01/2026, 06:50

Ponta Grossa atravessa 2025 com uma agenda de planejamento que mira as próximas décadas. A Secretaria Municipal de Projetos Estratégicos (Smpe) consolida, articula e encaminha um conjunto de obras e programas destinados a organizar o crescimento urbano, ampliar a oferta de serviços e atrair investimentos.
No último ano, Ponta Grossa se destacou nacionalmente no Ranking Connected Smart Cities 2025 (CSC 2025), elaborado pela Urban Systems. O município apareceu na 27ª colocação e já aparece entre as nove cidades mais inteligentes da Região Sul, consolidando uma trajetória de crescimento expressivo nos últimos cinco anos.
A partir do levantamento enviado pela Prefeitura, a reportagem apurou que a Smpe atuou em cerca de 21 projetos e frentes ao longo do último ano, entre captações, estudos, tratativas institucionais e projetos de implantação. Segundo a gestão, a função da pasta é transformar demandas dispersas em propostas integradas capazes de destravar financiamentos e incrementar a atuação de outras secretarias.
Entre as ações de maior evidência para 2025 está a Solução Costa Rica, um programa de intervenções viárias e mobilidade para atender bairros como Costa Rica, Lagoa Dourada, Jardim das Flores e Panamá. A iniciativa foi estruturada para operação de crédito via Programa Avançar Cidades, com uma estimativa de recursos em torno de R$ 45 milhões, quantia apontada pela administração como capaz de corrigir gargalos de mobilidade.

Desenvolvimento do município
A Secretaria atuou como elo entre diversas pastas municipais e o Ministério das Cidades para viabilizar a operação de crédito e o projeto executivo. Na saúde, a cidade avançou na captação para a nova Policlínica da Zona Norte. O projeto básico, desenvolvido com a Fundação Municipal de Saúde, foi incluído no Novo PAC do Governo Federal; o valor divulgado pela administração aproxima-se de R$ 30 milhões para a construção e equipamentos, com convênios e liberações em tramitação junto à Caixa e ao Ministério da Saúde. A obra promete ampliar oferta de consultas especializadas, exames e pequenos procedimentos cirúrgicos para a região norte da cidade.

No campo social, a Smpe conduziu projetos de captação para a construção de três dos cinco novos Centros de Referência em Assistência Social (CRAS) previstos para Quero-Quero, Gralha Azul e Santa Maria, e coordenou estudos territoriais, em parceria com a UEPG, para definir a distribuição mais eficaz das unidades. Em energia e sustentabilidade, houve avanço na formulação de um programa integrado de usinas fotovoltaicas, com três plantas municipais e outras menores apoiadas por emendas estaduais, objetivo que a Prefeitura posiciona como redução de custos operacionais e adoção de práticas ESG.
Para o Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Ponta Grossa (Iplan), representado por seu presidente, Rafael Mansani, a instalação destas obras em diferentes regiões demonstra que desenvolvimento urbano também é desenvolvimento social:
"Levar serviços públicos de qualidade para perto das pessoas é reduzir desigualdades e fortalecer nossa capacidade de conviver de maneira mais justa e equilibrada. O Instituto de Planejamento segue trabalhando para que cada projeto contemple perspectivas sustentável, social e econômica, reafirmando nosso compromisso com uma Ponta Grossa mais resiliente, conectada e próspera."
Mais recentemente, a gestão municipal demonstrou prioridade para os processos de cessão e a retomada de imóveis, entre eles prédios e terrenos ferroviários para destiná-los a serviços públicos, áreas industriais e loteamentos que possam fomentar emprego e habitação, a exemplo do planejamento para o projeto de mobilidade em oficinas com a assunção do trecho do Parque Linear e a recuperação e retomada de áreas de trechos de imóveis do Patrimônio da União, como os prédios da Farmácia Central e do antigo Ministério do Trabalho.
O secretário Edgar Hampf tem reiterado que a Secretaria foi criada para operar sobre problemas crônicos da cidade. “A falta persistente de planejamento – em todos os sentidos, ao longo de muitos anos – prejudicou a cidade, inclusive pela ausência de uma planificação de investimentos estratégicos. A Smpe tem como função fazer a gestão pública trabalhar com evidências, dados e integração entre as demais pastas, utilizando o que há de melhor de cada secretaria para o atendimento da população a médio e longo prazo”. Na avaliação da equipe, muitos projetos ainda percorrem fases iniciais, mas já apresentam avanços que, segundo Hampf, serão convertidos em resultados ao longo da gestão.

Portanto, o secretário aponta que o foco permanece em rigor técnico e entrega de resultados duradouros. Dos projetos apresentados para 2025, a tramitação junto a órgãos como o Ministério das Cidades e o Ministério da Saúde, além da articulação com representantes estaduais e federais de Ponta Grossa, são determinantes para o cronograma de execução. A governança da Smpe é apontada pela administração como o mecanismo para priorizar, especificar e acompanhar essas aplicações.
Em 2025, a Secretaria Municipal de Projetos Estratégicos atuou em mais de 20 projetos e frentes de trabalho, entre captação de recursos, estudos técnicos, articulações institucionais e implantação de programas estruturantes. A Smpe visa a construção sustentável e estratégica de Ponta Grossa a longo prazo com a elaboração de projetos e articulação institucional em diferentes áreas estruturantes para o município. A expectativa oficial é transformar a lista de projetos em obras a partir de 2026.

Investimento de R$ 120 milhões resultará em obra sustentável de interparques
A agenda estratégica de Ponta Grossa tem embasamento em um desenvolvimento sustentável. Em 2025, a Prefeitura Municipal de Ponta Grossa (PMPG) e outros órgãos parceiros, apresentaram propostas para intervenções socioambientais que combinam macrodrenagem, arborização, parques lineares e um ambicioso trecho de ciclovias interparques que pretende conectar áreas verdes e bacias fluviais da cidade.
As imagens de projeção 3D divulgadas mostram ciclovias, pistas de caminhada iluminadas e estruturas de convivência integradas a soluções de drenagem nas bacias dos rios Olarias, Pilão de Pedra e Ronda. A prefeita Elizabeth Schmidt classificou a proposta como “o maior projeto de parques lineares da história de Ponta Grossa. Uma parceria estratégica permite que o planejamento dos próximos 25 a 30 anos seja feito hoje para que a cidade não sofra amanhã. Muito trabalho pela frente!”, destacando a visão para a prevenção contra efeitos das mudanças climáticas.

A administração indica que o planejamento visa olhar a cidade para as próximas décadas, com intervenções que atuem simultaneamente na mitigação de enchentes, recuperação de margens, lazer e mobilidade ativa. O chamado Interparques surge como eixo estruturante para a expansão de Ponta Grossa: trata-se de um corredor de parques e ciclovias interligando áreas da cidade, incentivando o lazer, turismo, economia e prevenção de riscos. Para Henrique Zulian, arquiteto e urbanista, este projeto traz novas perspectivas para a mobilidade em Ponta Grossa. "Ciclovias isoladas tendem a ter uso limitado; já uma malha integrada permite deslocamentos reais e cotidianos, conectando bairros entre si, equipamentos públicos, áreas de trabalho, educação e lazer", detalha.

A estimativa preliminar do investimento neste projeto, divulgada pela Prefeitura e pela Unilivre soma cerca de R$ 120 milhões, previsão que, segundo a administração, será detalhada em cronogramas. Além deste, a agenda ambiental de Ponta Grossa inclui um projeto integrado para a implantação de três usinas fotovoltaicas municipais, voltadas à geração de energia limpa para prédios públicos.
Planejamento e estratégia sustentável
Para Rafael Mansani, presidente do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Ponta Grossa (Iplan), projetos como o Interparques e os novos acessos a bairros mais afastados, como o Costa Rica, representam esse compromisso com uma cidade mais integrada, inclusiva e ambientalmente responsável. “Ao priorizar mobilidade ativa, conexões seguras e infraestrutura que beneficia tanto o transporte quanto a qualidade de vida, estamos investindo em uma cidade que funciona melhor para todos, hoje e nas próximas décadas”, diz.

Paralelamente, a Prefeitura também estruturou projetos para a implantação de usinas fotovoltaicas de menor porte, viabilizadas com recursos do Governo do Estado, por meio de emenda parlamentar do deputado Delegado Matheus Laiola (União Brasil). Essas unidades complementam o sistema principal e permitem que diferentes equipamentos públicos passem a operar com energia renovável, reduzindo despesas correntes e impactos ambientais.
Outro eixo estratégico é a integração das ações de base ESG (ambiental, social e governança) no município, desenvolvida em conjunto com a Secretaria Municipal de Meio Ambiente. Dentro dessa política, está o credenciamento de estações de recarga para veículos elétricos, iniciativa que prepara a cidade para a transição da mobilidade urbana e incentiva o uso de tecnologias menos poluentes no transporte.
"Tratamos de ações de longo curso, planejamento e convergência. Em vista disso, sabemos que resultados expressivos serão experimentados ao longo da gestão, traduzindo em conquistas e franco progresso as expectativas e compromissos."
Estas propostas, além de reduzirem riscos, têm potencial para qualificar áreas degradadas, expandir espaços de convivência e estimular formas alternativas de mobilidade. Zulian avalia que os projetos têm caráter estratégico e devem transformar estes espaços ao qualificá-los para o lazer, convivência e paisagem. “Além do aspecto ambiental, esses projetos cumprem um papel estratégico na mobilidade sustentável ao possibilitar a implantação de ciclovias que funcionem como uma rede contínua, conectada e hierarquizada, da mesma forma que a malha viária atende aos automóveis”, declara o arquiteto e urbanista. O especialista explica que o projeto é inteligente por sua capacidade de integração. "Ciclovias isoladas tendem a ter uso limitado; já uma malha integrada permite deslocamentos reais e cotidianos, conectando bairros entre si, equipamentos públicos, áreas de trabalho, educação e lazer".
Para isso ocorrer, contudo, a Prefeitura deve avançar em projetos executivos, licitações, medidas de gestão de riscos e garantias contratuais que assegurem o bom funcionamento das novas estruturas. Por fim, o conjunto de iniciativas voltadas a sustentabilidade urbana da Secretaria Municipal de Projetos estratégicos compõe uma agenda coerente para a expansão do município. As propostas podem alterar a paisagem urbana de Ponta Grossa e criar redes de infraestrutura verde que aumentarão resiliência a eventos climáticos, reduzirão custos operacionais e oferecerão novas oportunidades de lazer e mobilidade à população.

Além do Interparques, Ponta Grossa avança em uma agenda ambiental mais ampla, coordenada pela Secretaria de Projetos Estratégicos (Smpe) em parceria com outras pastas. Entre as iniciativas em andamento estão a implantação de três usinas fotovoltaicas municipais, voltadas à redução de custos com energia elétrica, além de três usinas solares de menor porte, com recursos do Governo do Estado Integração das ações de base ESG na administração municipal. Também está em andamento na pasta o desenvolvimento do projeto para estações de recarga de veículos elétricos. Segundo a administração, a meta é alinhar crescimento urbano, responsabilidade ambiental e eficiência na gestão pública.




















