Estado reúne técnicos de PG e concessionária para discutir impactos da obra do 'Contorno'
O encontro na Secretaria de Estado da Infraestrutura e Logística teve como pauta o debate técnico sobre os estudos ambientais para a definição do traçado do projeto de R$ 1 bilhão

Os gestores da Motiva Paraná reuniram-se nesta segunda-feira (4) com técnicos do Departamento de Estradas e Rodagem do Paraná (DER-PR) para debater o projeto do contorno rodoviário em Ponta Grossa, que tem investimento previsto de mais de R$ 1 bilhão e deve gerar 12 mil empregos. O encontro foi na sede da Secretaria de Estado da Infraestrutura e Logística, em Curitiba, e teve a participação de integrantes da Prefeitura de Ponta Grossa e Associação Comercial e Industrial de Ponta Grossa, entre outras entidades.
A concessionária apresentou as justificativas técnicas para o traçado escolhido. Um exemplo é o balanço de massa, que busca a menor diferença entre volumes de cortes e de aterros em uma obra de grande porte. No formato proposto pela Motiva Paraná, a escavação seria de 1,790 milhão de m³ de jazidas, enquanto o modelo sugerido por lideranças locais retiraria 9,130 milhões de m³ de material, ou cinco vezes mais.
Segundo os estudos feitos pela concessionária, é preciso retirar jazidas de outras regiões pelas condições geológicas de Ponta Grossa, que está em uma região com relevo acidentado e possui um tipo de terreno seco e poroso, chamado solo colapsível. Nesse contexto, além da baixa resistência, o risco de afundamento é maior quando em contato com a água.
No traçado sugerido por entidades do município, seriam escavados 7,340 milhões de m³ a mais da proposta da Motiva Paraná. A diferença resulta em mais de 480 mil viagens a mais de caminhões caçamba com capacidade se 15 m³. O deslocamento dos veículos aumentaria os impactos ambientais e o tempo para concluir a obra, o que impediria o cumprimento do contrato de concessão assinado com a agência reguladora, A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT)
Risco à captação de água
O traçado elaborado pela Motiva Paraná resguarda o sistema de captação de água da Sanepar no Rio Pitangui, que abastece boa parte de Ponta Grossa. O contorno mais ao norte da Maltaria Campos Gerais, como prevê o projeto local, levaria o traçado a um ponto mais alto em relação à nascente do fluxo de água. Em caso de acidente envolvendo produto químico próximo ao Rio Pitangui, o abastecimento de água da cidade e toda a região poderia ser comprometido.
Outra prioridade da concessionária é a de que o contorno não passe pela Área de Preservação Ambiental (APA) da Escarpa Devoniana, que é a zona de amortecimento do Parque Estadual Vila Velha. A medida evita, por exemplo, mais tempo para estudos ambientais e obtenção das respectivas licenças, o que impactaria no período de término da obra.
Diálogo
A Motiva Paraná adaptou o projeto do contorno após acolher sugestões de entidades locais. Entre junho de 2025 e abril deste ano, mais de 50 organizações, lideranças e autoridades participaram de 90 encontros com a concessionária para tratar sobre o assunto.
Sobre a Motiva Paraná
É responsável pela concessão de 569 quilômetros de rodovias no estado e abrange 21 municípios nas rodovias BR-369, BR-376, BR-373, PR-445, PR-170, PR-323 e PR-090. O investimento ao longo de 30 anos será de R$ 16 bilhões em obras de melhorias de infraestrutura viária, como contornos, duplicações e faixas adicionais, além da operação.
Sobre a Motiva
Maior empresa de infraestrutura de mobilidade do Brasil, atua nas plataformas de Rodovias, Trilhos e Aeroportos. São 39 ativos, em 13 estados brasileiros e 16 mil colaboradores. A Companhia é responsável pela gestão e manutenção de 4.475 quilômetros de rodovias, realizando cerca de 3,6 mil atendimentos diariamente. Em Trilhos, por meio da gestão de metrôs, trens e VLT, transporta anualmente 750 milhões de passageiros. Em Aeroportos, com 17 unidades no Brasil e três no exterior, atende aproximadamente 45 milhões de clientes anualmente. Foi a primeira empresa a abrir capital no Novo Mercado da B3 e compõe há 14 anos o hall de sustentabilidade da B3.
Com informações da Motiva Paraná.





















