PG amplia planejamento familiar com projeto de implante contraceptivo subdérmico
O implante contraceptivo subdérmico é um método anticonceptivo feminino que consiste num bastão hormonal inserido no antebraço
Publicado: 02/04/2025, 21:50
Ponta Grossa deu um importante passo na promoção dos direitos sexuais e reprodutivos das mulheres ao implantar, em 2023, um projeto-piloto para inserção de implantes contraceptivos subdérmicos na rede pública de saúde. Considerado o método contraceptivo mais moderno e eficaz do mercado, o implante contém etonogestrel e é reversível, oferecendo proteção por até três anos.
"A ideia surgiu da necessidade de um método contraceptivo moderno e eficaz para a população vulnerável e que não se adapta a outros métodos. Por exemplo, uma mulher com dependência química dificilmente adere aos métodos orais ou injetáveis, além da dificuldade em encaminhá-la para realizar um método definitivo”, explica Manon Callaça, coordenadora do Centro Municipal da Mulher.
A iniciativa foi voltada para mulheres em condições de vulnerabilidade social, como aquelas em situação de rua, vivendo com HIV/AIDS, com múltiplas gestações, ou com transtornos psiquiátricos e neurológicos. O objetivo central foi reduzir a taxa de fecundidade nessa população, ampliar o acesso a métodos contraceptivos modernos pelo SUS e fortalecer a autonomia das usuárias e dos profissionais da Atenção Primária à Saúde.
RESULTADOS E ADESÃO - Após um estudo de viabilidade técnica e financeira, o município definiu critérios para o público-alvo e elaborou um protocolo específico para a utilização do implante subdérmico. Equipes de saúde, compostas por médicos e enfermeiros, passaram por capacitação para a realização do procedimento. A divulgação do projeto contou com apoio da imprensa e de outras secretarias, enquanto as pacientes elegíveis foram identificadas e agendadas pelo sistema de regulação.
Os dados do projeto revelam o sucesso da iniciativa. De abril de 2023 a fevereiro de 2024, foram realizadas 90 inserções de implantes contraceptivos. A maioria dos procedimentos (76,7%) foi realizada por enfermeiros que atuam na Atenção Primária. Entre as mulheres atendidas, 54,5% estavam na faixa etária de 29 a 39 anos, enquanto 78,9% possuíam múltiplas gestações, e 7,8% tinham transtornos mentais.
O índice de adesão foi alto, com apenas uma paciente solicitando a retirada do dispositivo. Além disso, não foram registrados efeitos adversos graves, reforçando a segurança do método. As mulheres relataram satisfação com a iniciativa, destacando o impacto positivo na autonomia e no planejamento familiar.
Já no ano passado, de março a dezembro, foi realizado um total de 64 inserções. Em relação à idade das mulheres, 48,9% tinham entre 29 e 39 anos, 31,9% entre 40 e 49 anos e 19,2% entre 18 e 28 anos. Sobre as inserções, as mulheres com múltiplas gestações continuaram sendo as que registraram maior adesão (74,5%), enquanto 12,8% dos dispositivos foram inseridos em dependentes químicas, 6,4% em mulheres com transtorno mental, 4,2% em mulheres vivendo com HIV e 2,1% em mulheres em situação de rua.
“A disponibilização do implante subdérmico reforça o compromisso da Fundação Municipal de Saúde em promover equidade no acesso a serviços de saúde, garantindo que todas as mulheres, independentemente de sua condição socioeconômica, tenham opções seguras e eficazes para o planejamento reprodutivo. A iniciativa representa um passo significativo para fortalecer a autonomia das mulheres e melhorar a qualidade de vida dessa população”, comemora Liliam Cristina Brandalise, presidente da Fundação Municipal de Saúde.
IMPACTO E FUTURO - A inserção do implante subdérmico na rede de Atenção Primária representou um avanço significativo no fortalecimento do SUS, promovendo equidade e integralidade no cuidado à saúde. O projeto também consolidou o papel do enfermeiro como protagonista na oferta de cuidados, proporcionando maior confiança na execução de novos procedimentos.
“É uma iniciativa excelente, a qual nos enche de orgulho, fortalecendo a atuação do profissional enfermeiro, além de proporcionar um método moderno e eficaz para uma população vulnerável. Esperamos que logo haja ampliação dos critérios de elegibilidade e que, num futuro próximo, todos os métodos contraceptivos estejam disponíveis conforme a indicação na avaliação clínica”, afirma Manon.
O Projeto segue em andamento em 2025 e, diante do sucesso, o município planeja expandir a oferta do implante subdérmico para um maior número de usuárias, contribuindo para a redução de desigualdades no acesso a métodos contraceptivos e garantindo os direitos sexuais e reprodutivos da população. Essa iniciativa é um exemplo de como o planejamento familiar pode ser ampliado de forma eficiente e humanizada, beneficiando as pessoas em maior vulnerabilidade social.
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